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Dezembro 17, 2008
Sem ter de preocupar-me com os enquadramentos temáticos que cada pergunta específica necessariamente estabeleceria, embora não fosse essa a sua intenção declarada, lanço a primeira palavra, e a segunda, e a terceira, como pássaros a que foi aberta a porta da gaiola, sem saber muito bem, ou não o sabendo de todo, aonde eles me levarão. Falar torna-se então numa aventura, comunicar converte-se na busca metódica de um caminho que leve a quem estiver escutando, tendo sempre presente que nenhuma comunicação é definitiva e instantânea, que muitas vezes é preciso voltar atrás para aclarar o que só sumariamente foi enunciado. Mas o mais interessante em tudo isto é descobrir que o discurso, em lugar de se limitar a iluminar e dar visibilidade ao que eu próprio julgava saber acerca do meu trabalho, acaba invariavelmente por revelar o oculto, o apenas intuído ou pressentido, e que de repente se torna numa evidência insofismável em que sou o primeiro a surpreender-me, como alguém que estava no escuro e acabou de abrir os olhos para uma súbita luz. Enfim, vou aprendendo com as palavras que digo. Eis uma boa conclusão, talvez a melhor, para este discurso. Finalmente breve.
Palavras
em O Caderno de Saramgo
17/dez/2008
José Saramago
Blindness
Maio 22, 2008
Pela reação do Saramago, Blindness – a filmagem de Fernando Meirelles do interessante “Ensaio sobre a Cegueira” – promete ser “o” filme… Com previsão de lançamento para setembro, o filme conta com Mark Ruffalo no papel do médico oftalmologista e Julianne Moore como a esposa, além de Gael Garcia Marques e Alice Braga (a paulista de I am Legend). Já estou ansiosa…


