Aos autores, as histórias

Agosto 19, 2008





A Sombra do Vento
Carlos Ruiz Zafón
Editora Objetiva (2004)

Nos minutos seguintes em que terminei a leitura desta história sobre histórias, minha primeira ação foi pesquisar por Carlos Ruiz Zafón*, o autor, no Google. E, ao que parece, o primeiro mérito de A Sombra do Vento se cumpre: a obra desse espanhol erradicado em Los Angeles instiga no leitor a necessidade de buscar conhecer aqueles por trás das histórias, os que as assinam, os autores.


É valorizado não o mero preenchedor de páginas, mas o escritor real, renomado ou não, cujas obras ampliam o espírito humano. E por fim, é homenageado o leitor que lê sem leviandade, apenas para passar o tempo, o leitor que termina um livro porém esforça-se em conhecer mais a respeito da obra e de quem a escreveu. Tão sincero é o apreço ao livro, que o autor é cortejado para autorizar a filmagem, mas não quer ceder os direitos sem garantias mínimas de fidelidade do filme ao escrito. Este, segundo ele, é mais importante que a “película”.


Em uma trama envolvente, Zafón nos apresenta à Daniel Sempere, um jovem leitor, filho de um livreiro simples de Barcelona, que perdeu a mãe muito cedo e sonha se aventurar pelo universo das palavras, como escritor. E é com Daniel que seguimos adiante, em busca de respostas sobre a misteriosa existência de Julián Carax, um escritor espanhol que muito jovem se mudou para a França, em circunstâncias não muito claras, e que, mesmo sem nenhum sucesso editorial e vivendo de pianista em bares parisienses, lançou vários títulos, entre eles, um tal de A Sombra do Vento – que Daniel resgata, acidentalmente, de um sociedade secreta chamada Cemitério dos Livros Esquecidos.

E é a curiosidade de Daniel que nos envolve nos mistérios do passado de Carax: mistérios que envolvem até mesmo um assassino de livros, uma figura demoníaca que sai de um dos livros de Julian com o objetivo de destruir tudo o que o autor já havia publicado.

Situado na conturbada Barcelona da década de 1950, entre passado e presente, A Sombra do Vento, que se pretende o primeiro título de uma tetralogia sobre a cidade espanhola, retrata um tempo de muita apreensão e mudanças, onde o tom denunciador da ditadura de Franco é retratada nas frias e úmidas descrições da cidade – característica que nunca abandona o texto, sempre parece chover nas páginas de Zafón.


Um dos melhores personagens é Fermín Romero de Torres. Chamá-lo simplesmente “malandro” aproximá-lo-á em demasia do tipo descrito comumente pela prosa urbana brasileira e transmitirá uma idéia errônea. Pode-se melhor descrevê-lo como um Sancho Pança que obteve algumas luzes mas não alcançou a estupidez de Pangloss. O escritor teve grande inspiração ao criar esta figura extremamente hilária, enxerida e absolutamente leal aos amigos.


Fermín é mesmo hilário… O texto todo, por sinal, é muito bem escrito. E o livro foi finalista dos prêmios literários espanhóis Fernando Lara 2001 e Llibreter 2002. Vale conferir a crítica do Digestivo Cultura, de onde retirei as citações.



* Carlos Ruiz Zafón é um escritor espanhol, ganhador do prêmio Ebedé de literatura já por seu primeiro romance (O Príncipe da Névoa) e considerado uma das maiores revelações da literatura mundial. Zafón começou sua carreira com a literatura infantil, mas tornou-se celebridade literária com este “A Sombra do Vento”. O autor mora e trabalha nos Estados Unidos, onde é roteirista de cinema.



A Sombra do Vento

Abril 1, 2008

Carlos Ruiz Zafón
Editora Objetiva, 2004

Há alguns minutos, quando se encerrou essa história sobre histórias, minha primeira ação foi pesquisar por Carlos Ruiz Zafón, o autor, no Google. E, ao que parece, o primeiro mérito de A Sombra do Vento se cumpre: a obra desse espanhol erradicado em Los Angeles instiga no leitor a necessidade de buscar conhecer aqueles por trás das histórias, os que os assinam, os autores.

É valorizado não o mero preenchedor de páginas, mas o escritor real, renomado ou não, cujas obras ampliam o espírito humano. E por fim, é homenageado o leitor que lê sem leviandade, apenas para passar o tempo, o leitor que termina um livro porém esforça-se em conhecer mais a respeito da obra e de quem a escreveu. Tão sincero é o apreço ao livro, que o autor é cortejado para autorizar a filmagem, mas não quer ceder os direitos sem garantias mínimas de fidelidade do filme ao escrito. Este, segundo ele, é mais importante que a “película”.

Em uma trama envolvente, Zafón nos apresenta à Daniel Sempere, um jovem leitor, filho de um livreiro simples de Barcelona, que perdeu a mãe muito cedo e sonha se aventurar pelo universo das palavras, como escritor. E é com Daniel que seguimos adiante, em busca de respostas sobre a misteriosa existência de Julián Carax, um escritor espanhol que muito jovem se mudou para a França, em circunstâncias não muito claras, e que, mesmo sem nenhum sucesso editorial e vivendo de pianista em bares parisienses, lançou vários títulos, entre eles, um tal de A Sombra do Vento – que Daniel resgata, acidentalmente, de um sociedade secreta chamada Cemitério dos Livros Esquecidos.

E é a curiosidade de Daniel que nos envolve nos mistérios do passado de Carax: mistérios que envolvem até mesmo um assassino de livros, uma figura demoníaca que sai de um dos livros de Julian com o objetivo de destruir tudo o que o autor já havia publicado.

Situado na conturbada Barcelona da década de 1950, entre passado e presente, A Sombra do Vento, que se pretende o primeiro título de uma tetralogia sobre a cidade espanhola, retrata um tempo de muita apreensão e mudanças, onde o tom denunciador da ditadura de Franco é retratada nas frias e úmidas descrições da cidade – característica que nunca abandona o texto, sempre parece chover nas páginas de Zafón.

Fermín é mesmo hilário… O texto todo, por sinal, é muito bem escrito. E o livro foi finalista dos prêmios literários espanhóis Fernando Lara 2001 e Llibreter 2002. Vale conferir a crítica do Digestivo Cultura, de onde retirei as citações.

Vale conferir! ;)