Setembro 28, 2009



Alastra ante meus olhos saudosos a cidade incerta e silente.

As  casas desigualam-se num aglomerado retido, e o luar, com manchas de incerteza, estagna de madrepérola os solavancos mortos da profusão. Há telhados e sombras, janelas e idade média. Não há de que haver arredores. Pousa no que se vê um vislumbre de longínquo. Por sobre de onde vejo há ramos negros de árvores, e eu tenho o sono da cidade inteira no meu coração dissuadido. Lisboa ao luar e o meu cansaço de amanhã!

Que noite! Prouvera a quem causou os pormenores do mundo que não houvesse para mim melhor estado ou melodia que o momento lunar destacado em que me desconheço conhecido.
Nem brisa, nem gente interrompe o que não penso. Tenho sono do mesmo modo que tenho vida. Só que sinto nas pálpebras como se houvesse o que fazer-mas pesar. Ouço a minha respiração. Durmo ou desperto?

Custa-me um chumbo dos sentidos o mover-me com os pés para onde moro. A carícia do apagamento, a flor dada do inútil, o meu nome nunca pronunciado, o meu desassossego entre margens, o privilégio de deveres cedidos, e, na última curva do parque avoengo, o outro século como um roseiral.


Fernando Pessoa
O livro do desassossego (p429)



resiliente

Setembro 20, 2009




Tem alguma coisa diferente. No ar, uma sensação de além, de estar a frente do que se apresenta como momento. É como se tudo fosse novo, de novo. E sendo assim nada assusta. Murmúrios de possibilidades. Não que os muros tenham caído, ou o vento mudado. Apenas não importa tanto – não mais, afinal. Passos leves, direções contrárias. Movimento. Lentamente parece acordar pra tudo o que tinha esquecido. Olha pros lados tentando recuperar o seu ‘eu’ sonolento. Como no conto, com a adormecida todo o resto do mundo acorda. E é como se nada tivesse realmente acontecido. A não ser as memórias, e o que com elas se aprende. Pode não durar mais que segundos. Mas de agora, cada dia será novo e cada ritmo ditado pelo tac-tac do salto, lépido e disposto. E tudo percebido em pouco mais do que 3 decisões, uns olhares cruzados e um pouco de verde ilusão.



Sabe?

Setembro 15, 2009



…quando tua metade controlada fica sem reação, e você torce pro amanhã chegar antes da hora. E aí parar pra sempre. Nada de razão, só uma impressão aguda de que se está indo direto pro outro lado do espelho. Descontrole. Medo bom. E o pensamento foge, desconcentrando pra todo lado – um serelepe em ebulição. Só um segundo. O sificiente…


escritos, pincelados…

Setembro 14, 2009



Eu gosto do céu:
…acho que ele sabe contar histórias como ninguém.

12 / 300 céus










fotos do meu projeto “300 céus