descaso com a memória

Agosto 30, 2009



…então ontem, quando passei por lá, mesma rota que seguia sob o sol escaldante, como passos decorados de um andar preguiçoso – ontem, quando passei por lá, precisei olhar para cima, procurar o ponto exato do que, não sendo meu, me pertencia, como memória. Fácil identificar olhando de cima pra baixo, penduricalhos ao sol. Quase precisei parar pra ter certeza de que olhava pro local exato. A luz refletida entre as paredes da cidade sempre me ofuscava, olhos claros. Mas resisti, queria ter certeza. De resto, segui andando pra perceber que nada mais era que uma rota pra um outro destino. Meus passos não paravam mais por ali, haviam realmente mudado a direção. Nem sempre é fácil trocar o conhecido pela novidade… Grande sacada daquele que chamou de desafio. É descaso com a memória: só olhar pra frente. E às vezes nem é preciso realmente virar o pescoço, é só levantar um pouquinho a cabeça, uns instantes, pra saber que o vai ficando nas calçadas é vida vivida e que o sol ainda é o mesmo que o pintado na sua retina, só passou a ser visto de um outro ângulo.



[no palco]

Agosto 19, 2009

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De volta aos palcos de POA, O BAIRRO.
Se não me engano é a 4º curta temporada do roteiro.

Eu não canso de avisar sobre a montagem porque realmente gosto. O BAIRRO é uma adaptação do gaúcho Marco Fronchetti sobre a coleção homônima de Gonçalo M. Tavares, um dos escritores contemporâneos mais admiráveis. Tavares é português e tem sensibilidade e uma estética fortes em cada linha. O Bairro é uma sacada do autor: textos curtos, mas cadenciados e poéticos, com doses de bom humor… a coletânea cria um cenário de experiências nos leitores. Cada edição corresponde a um morador do bairro imaginário de Gonçalo, e já se mudaram pra lá personagens como o Sr. Brecht, o Sr. Walser, o Sr. Calvino, o Sr. Kraus… O autor chegou a afirmar em entrevistas que a referência a intelectuais famosos se resume aos títulos, que ele não pretende explorar a personalidade dos reais nos ficcionais. Ainda assim, cada livreto tem humor próprio, e suas próprias neuroses.

A montagem de O BAIRRO também vale a pena. O roteiro foi aprovado pelo autor e a produção é rica, ainda que simples (bem aos modos do bairro). As personagens vão sendo apresentadas, uma a uma, representadas pelos 4 atores no palco. Todos são o mesmo. E as cenas mais emocionantes das micro narrativas originais, se personificam no palco com graciosidade. Foi um cuidado enorme com o que há de mais precioso na obra: a sutileza. Eu vi apenas uma vez, mas fiquei querendo mais…

Quer ver?
Sala Alvaro Moreyra
Centro Munipal de Cultura
Av. Erico Verissimo, 307
Porto Alegre/RS

De 20/AGO à 06/SET

:)

Será que convence?

Agosto 18, 2009





Já me peguei pensando se eu seria capaz de sobreviver sozinha no mundo. Ou que habilidades eu teria pra continuar sendo útil em um grupo pequeno de sobreviventes. Não sei até que ponto habilidades matemáticas são as mais importantes. Por isso, a proposta me deixou curiosa. A cena inicial, deles andando sobre uma ponte em uma imensidão abandonada que se parece mesmo com uma cidade liquidada, é “inspiradora”.

Assim, ó…

Agosto 17, 2009



Então veio a tal epidemia de gripe A. O RS semi-surtou nas últimas semanas. Quem trabalha com qualquer recurso de saúde teve sua rotina alterada. Isso porque o sistema público de saúde em POA não suportava a sobrecarga de “atendimentos” (leia-se muitos casos de gente sadia sentada nas emergências esperando pra fazer um exame e aproveitando pra se contaminar com quem realmente estava doente). Tá, pode ser exagero. E não estou dizendo que a coisa não foi séria. Mas o pânico é sempre o pior conselheiro.

Enfim, quem trabalha com qualquer recurso de saúde – especialmente se o seu trabalho envolve coisas “menos urgentes”, como pesquisa, prevenção, atenção básica ou coisas que não sejam alarmantes espalhando-se  pelo seu corpo e dele para corpos alheios – você não é bem vindo em uma situação de crise.

Então passei quase 15 dias com a rotina muito alterada. Mais tempo em casa, menos o que fazer, isso pra não dizer “coisa nenhuma pra fazer o tempo todo”. Simples, mas não é bem assim. Porque, bem, pesquisador não tem vida, pra começar. E a regra de ouro é: ” se você tem algum minuto de folga… aproveite pra trabalhar!”.

E foi isso. Trabalhei mais do que imaginava e menos do que preciso. Mas dei conta de deadlines, revisões e algumas leituras. Not so much. E me dei conta do que é o meu futuro… hahahaha. E agora, retomando a rotina, já percebo que vou ao fim do ano atolada de trabalho, tentando recuperar 15 dias de férias forçadas.!




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