3 minutos

Março 31, 2009



Você mora sozinho, o nescau tá cheio e vencendo, você não tem forma e menos ainda uma receita, tá com uma vontade enorme de comer algo de chocolate A.G.O.R.A, mas se recusa a engolir uma colher de nescau à seco? Siga a dica da Tia Laura:

Pega alguma coisa, um potezinho, pra bater a massa. um ovo, sem casca. batido com 2 colheres de açucar, um poucão de nescau, e um pouco (mais que o nescau) de farinha. isso, é tudo à olho, mesmo. vai batendo tudo, bate, bate, bate. coloca umas gotinhas de óleo. tipo, 2 gramas, assim. e bate. depois um pouquinho de água. pouquinho. e bate, bate, bate. coloca um colherzinha de chá de royal, mistura bem, sem bater. derrama a meleca num pote que possa ir pra microondas. não muito largo. no forno (de microondas, pelamor) em potencia alta, por 3 minutos. desenforma. aquece um pouquinho, pouquinho de leite em uma panelinha. coloca bastante nescau, um pouquinho, menos que isso de margarina. ferve muito. desliga, coloca um pouquinho de creme de leite. derrama sobre a massa.

Pronto. Só comer. Se vc acertas as medidas da massa fica hiper gostoso.
E pronto em 3 minutos.

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do que não se percebe

Março 27, 2009




passar por uma porta para entrar em um quarto é algo bem complicado:

De saída devo lutar contra a atmosfera, que faz uma pressão equivalente a 1kg sobre cada centímetro quadrado de meu corpo. Em seguida, preciso aterrissar sobre uma prancha que voa em torno do Sol a uma velocidade de 30 km por segundo; e basta uma fração de segundos de atraso para que a prancha fique a milhares de quilômetros de distância… Além disso a prancha não é feita de matéria consistente. Firmar-se sobre ela equivale a pôr o pé sobre um enxame de moscas… É bem verdade que mais fácil para um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um físico transpor a soleira de sua porta.



Eddington


Zora

Março 24, 2009



The Village of the Mermaids
Paul Delvaux (1942)


…os homens mais sábios do mundo são os que conhecem Zora de cor. Mas foi inútil a minha viagem para visitar a cidade: obrigada a permanecer imóvel e imutável para facilitar a memorização, Zora definhou, desfez-se e sumiu. Foi esquecida pelo mundo.

As cidades invisíveis
Italo Calvino


Março 11, 2009



Prefiro acreditar que o evidente fascínio dos leitores com sua própria voz acabará encontrando naturalmente um ponto de equilíbrio e respeito maior à divergência, à medida que a simples possibilidade de se expressar deixe de ser uma novidade para quem, durante o longo reinado da mídia tradicional, não podia ser ouvido. Ainda estamos na infância desta coisa.



Sérgio Rodrigues


As regras de Updike

Março 11, 2009




John Updike elencou o que considerava as regras básicas para a crítica jornalística que, por interessantes e nunca dispensáveis, recuperei doblog Todoprosa, de Sérgio Rodrigues.

  1. Tente entender o que o autor quis fazer, e não o culpe por não conseguir fazer aquilo que não tentou.
  2. Transcreva trechos da prosa do livro em extensão suficiente – pelo menos uma passagem mais longa – para que o leitor da resenha possa formar sua própria impressão.
  3. Confirme sua descrição do livro com uma citação do próprio, mesmo que só uma frase, em vez de fazer apenas um resumo vago.
  4. Vá devagar com o resumo da trama, e não entregue o fim.
  5. Se o livo for considerado deficiente, cite um exemplo bem-sucedido de outro que vá na mesma linha, seja ele tirado da obra do mesmo autor ou de outro. Tente compreender o fracasso. Tem certeza de que o fracasso é do autor e não seu?



A essas cinco regras concretas eu poderia acrescentar uma sexta, mais vaga, que tem a ver com manter a pureza química da reação entre produto e avaliador. Não aceite para resenhar um livro do qual esteja predisposto a não gostar, ou comprometido por amizade a gostar. Não se imagine como o guardião de alguma tradição, um capataz dos padrões de conduta de um partido, o guerreiro de uma batalha ideológica, um agente penitenciário de qualquer tipo. Nunca, nunca (…) tente pôr o autor “no seu devido lugar”, transformando-o em peão de uma disputa com outros resenhistas. Critique o livro, não a reputação. Submeta-se a qualquer feitiço, fraco ou forte, que esteja sendo lançado. Melhor elogiar e compartilhar do que acusar e banir. A comunhão entre o resenhista e seu público se baseia na presunção de certos prazeres possíveis da leitura, e todos os nossos juízos devem se curvar a esse fim.



O que é o que é?

Março 8, 2009



Se recebo um presente dado com carinho por pessoa de quem não gosto – como se chama o que sinto? Uma pessoa de quem não se gosta mais e que não gosta mais da gente – como se chama essa mágoa e esse rancor? Estar ocupado, e de repente parar por ter sido tomado por uma desocupação beata, milagrosa, sorridente e idiota – como se chama o que se sentiu? O único modo de chamar é perguntar: como se chama? Até hoje só consegui nomear a própria pergunta. Qual é o nome? e é este o nome”.



Clarice Lispector
A descoberta do mundo


prisões da alma

Março 7, 2009



Estas cartas, Mariano, não são escritos. São falas. Sente-se, se deixe em bastante sossego e escute. Você não veio a esta Ilha para comparecer perante um funeral. Muito ao contrário, Mariano. Você cruzou essas águas por motivo de um nascimento. Para colocar o nosso mundo no devido lugar. Não veio salvar o morto. Veio salvar a vida, a nossa vida. Todos aqui estão morrendo não por doença, mas por desmérito do viver.

É por isso que visitará estas cartas e encontrará não a folha escrita mas um vazio que você mesmo irá preencher, com suas caligrafias. Como se diz aqui: feridas da boca se curam com a própria saliva. Esse é o serviço que vamos cumprir aqui, você e eu, de um e outro lado das palavras. Eu dou as vozes, você dá a escritura. Para salvarmos Luar-do-Chão, o lugar onde ainda vamos nascendo. E salvarmos nossa família, que é o lugar onde somos eternos.

Comece em seu pai, Fulano Malta. Você nunca lhe ensinou modos de ele ser pai. Entre no seu coração, entenda aquela rezinguice dele, amoleça os medos dele. Ponha um novo entendimento em seu velho pai. Às vezes, seu pai lhe tem raiva? Pois lhe digo: aquilo não é raiva, é medo. Lhe explico: você despontou-se, saiu da Ilha, atravessou a fronteira do mundo. Os lugares são bons e ai de quem não tenha o seu, congênito e natural. Mas os lugares nos aprisionam, são raízes que amarram a vontade da asa.

A Ilha de Luar-do-Chão é uma prisão. A pior prisão, sem muros, sem grades. Só o medo do que há lá fora nos prende ao chão. E você saltou essa fronteira. Se afastou não em distância, mas se alonjou da nossa existência.

Antes, seu pai estava bem consigo mesmo, aceitava o tamanho que você lhe dava. Desde a sua partida ele se tornou num estranho, alheio e distante. Seu velhote passou a destratá-lo? Pois ele se defende de si mesmo. Você, Mariano, lhe lembra que ele ficou, deste lado do rio, amansado, sem brilho de viver nem lustro de sonhar”.



Mia Couto
Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra





E eu não tinha postado nada ainda. Mas é que sabe, né?! A pessoa, entre montar a apresentação, arrumar a bagunça das férias e dominar os desatinos nervosos da ansiedade pré-banca, fica assim, sabe?! Um pouco sem rumo… Mas não poderia deixar de registrar, agora, passadas as tonturas, que os professores foram simplesmente fantásticos. Fizeram um esforço maneiro pra estar na manhã da primeira segunda do terceiro mês numa sala de aula, ouvindo e debatendo o resultado de 2 anos do meu trabalho.

Tem a coisa de estar sendo julgada: é o que dá náuseas.
Mas a tem a coisa de estar sendo ensinada: o que sempre é ótimo!
E tem, principalmente, a coisa de estar sendo apoiada: que é genial…

Esse apoio, claro, existiu o tempo inteiro, mas é mais intenso quando as pessoas também resolvem levantar cedo na manhã da primeira segunda do terceiro mês pra te assistir, te ajudar.

Resultado: triplo A, muita minhoca nova na cabeça e um agradecimento sem fim para as pessoas que são partes do que eu sou: Luti, Suely e Alex, pela generosidade de compartilharem comigo seus conhecimentos; Marcia, em especial, por ser um exemplo completo de pesquisadora, amiga e mestre (no sentido de aquela que ensina, sabe?!); Virgínia, orientadora competente, completa, dedicada e adorada, que entra com louvores no roll de eternas na minha vida; Raquel, minha primeira orientadora, importante pra sempre, modelo!! Os colegas, os amigos, a Helena e o Mauro, claro!

Fiquei Mestre por algumas horas, umas 3, no máximo!
Então é assim: a defesa começou as 10:30 da manhã. Terminou 13 horas. Almoçamos lá mesmo, na Fabico. Fui pra casa abaixo de chuva. Li e-mails, atualizei o twitter, agradeci várias pessoas por uma coisa que não era nada mais que a minha obrigação, mas que me deu um grande alívio, entrei no portal da UFRGS e fiz minha matricula no doutorado. Acabou. Virei todoranda, como diria a vóvis do Reges. Fui mestre por cerca de 3 horas… :P