justiça monarquica e pós-modernidade
Fevereiro 27, 2009
Revirando os textos d’O Caderno de Saramago achei esse comentário dele sobre o caso do brasileiro assassinado por policiais no metrô de Londres, em 2005. Quase 4 anos depois, o brasileiro “confundido” com um terrorista pela polícia inglesa é uma vítima sem algoz, virou apenas estatística. O fechamento de Saramago pro caso – “se algum dia lhes aparecer por aí uma peruca branca” – me lembrou um dos textos que tem feito parte da minha rotina de estudos de férias: “Minha formação”, autobiografia de um dos primeiros embaixadores da república brasileira, Joaquim Nabuco. Entre tantas características interessantes, Nabuco era monarquista. Fato mais do que curioso, visto que era um defensor das liberdades sociais, um dos principais nomes na luta anti-escravagista, um político mais filósofo do que populesco.
Filho de político liberalista brasileiro, Nabuco entendia a separação entre as figuras de chefe de estado e chefe de governo como uma excelente alternativa para os problemas das dinâmicas do poder central. Para ele, a figura do rei serviria para nutrir uma certa curiosidade popular pela rotina política, pelas vaidades do poder. Enquanto isso, o ministro, escolhido pelo povo a partir das camaras de representantes, seria quem efetivamente governa o país. Afeito à cultura, para Joaquim Nabuco as artes, a literatura e a filosofia política eram comoventes, muito além da simplória política partidária. Visionário, entendia as dificuldades em implementar um modelo como a monarquia inglesa no Brasil, de forma que aceitou e defendeu a República, com a qual, em determinados momentos e por forte influencia paterna, se identificava. Mas Nabuco via no modelo inglês de distribuição do poder um exemplo a ser seguido. Tanto no poder executivo e no legislativo como, e especialmente, no judiciário.
Se as cortes jurídicas não se envolviam em disputas partidárias pela representatividade de estado, a cargo do rei e seus herdeiros, não haveriam motivos para que interesses externos influenciassem suas decisões. Na visão de Nabuco, o sistema inglês era mais justo, menos discrimatório do que, por exemplo, o modelo americano que, apesar da liberdade exacerbada, era alicerçado em um conceito de liberdade individual, de forma que cada um (partes, sistema, juízes) teria seus interesses postos a prova constantemente. Para o observador brasileiro, a busca de um direito individual é muito mais improvável do que a busca cercada pelo respaldo da clemência de uma corte superior.
Um século depois, no caso de Jean Charles, a peruca branca parece haver falhado. A clemência inglesa parece ter voltado às costas a justiça em nome de seus pares. “Digam ao portador o que as pessoas honestas pensam destas justiças”. Será que a tradição monarquica não é capaz de lidar com os dramas da pós-modernidade?
…
Fevereiro 27, 2009
As vezes eu vago pela memória deste blog e sinto saudade de quem já fui.
Vai ser assim
Fevereiro 4, 2009

It was just another night
With a sunset and a moonrise
Not so far behind
To give us just enough light
To lay down underneath the stars
Listen to all translations
Of the stories across the sky
We drew our own constellations
Vendêsse
Fevereiro 4, 2009
Você está convidado para o:

Resumindo:
Bazar da Tati 1 de 2009
PINACOTECA, dia 07 de fev, a partir das 17h30
Rua da Republica, 409, Cidade Baixa, POA
Leve suas coisas (sapatos, roupas, decorativos, e o escambau) devidamente etiquetados com o seu nome e o preço para venda e venha fazer parte da brincadeira… ![]()
sete coisas que você não sabia sobre mim
Fevereiro 2, 2009
…é isso ai! Roubando memes da pinta, há dias queria postar esse aqui.
Coisa numero 1 que você não sabia sobre mim – eu quero ser diplomata. Sério. Me inscrevo no concurso pro Int. Rio Branco há anos. Nunca realmente tive coragem de pagar a inscrição e ir fazer a prova. Mas agora elaborei um “plano infalível” que conta com 4 anos de estudos, uma tese e o meu retorno pro Direito. Só falta o patrocício. Se tiver interesse, deixe um comment.!
Coisa numero 2 que você não sabia sobre mim – Eu tive uma Barbie na minha vida. E uma só. Era uma Barbie de inverno. Eu amava botas de cano alto e ela tinha uma. E uma sainha de pregas xadrez e um moleton verde. Eu a Andréa enchiamos a pia do banheiro de água e jogavamos as bonecas todas lá dentro, na super-chique-piscina. E eu gostava da minha Barbie. Mas um dia eu dei ela pra uma menina.
Coisa numero 3 que você não sabia sobre mim – (copiei o numero 7 da Pinta) passo longos períodos sem ouvir música alguma. e então entro numa fase mega musical. e saio dela. e entro de novo. totalmente esquizo.
Coisa numero 4 que você não sabia sobre mim – tem dias que não gosto de falar com as pessoas. Não é mau-humor, não é rebeldia, não é sono, não é nada. Apenas um processo de intra-interioridade, sabe?! Nesses dias nem Bom Dia eu respondo. Se bem que só digo Bom Dia pra quem não mora comigo…
Coisa numero 5 que você não sabia sobre mim – em 2008 comecei duas coleções novas. Uma bem singela, a outra o cúmulo do consumismo. Claro que meus livros não contam, eles são uma parte da minha alma. Minha coleção singela é de lápis, isso mesmo, lápis. Todos diferentes, já tenho uns 40. Mas eu uso todos. Minha coleção consumista é de scarpins. Que sempre gostei, mas sempre tive um ou outro. Agora tenho 5, o que é o máximo pra uma pessoa que simplesmente odeia ir em lojas. O último, comprei nesse sábado, é branco perolado. Uma gracinha, como diria a perucagem brasileira.
Coisa numero 6 que você não sabia sobre mim – Eu fui Maria, a Virgem, numa encenação de Natal na praça da cidade quando tinha uns 7 anos. Eu tinha falas e cantava uma música sozinha. Totalmente Broadway ao ar livre. E participei, cantando e tocando violão, de 7 edições de uma competição local de escolas com o tema “tradicionalismo” gaúcho.
Coisa numero 7 que você não sabia sobre mim – eu já fui o capeta em forma de guri. Cortei a cortina do quarto do meu irmão por causa de uma briga de crianças (tinha uns 5 anos). Enrrolei a cama da minha mãe com todo um rolo de fita de Natal pra dar de presente pra ela (tinha uns 5 anos). Fugi de casa, cai num buraco aberto pra colocar bueiro, fui resgatada por um estranho bêbado e devolvida em casa pro meu pai, que nem tinha se dado conta do meu desaparecimento (eu tinha uns 2 anos). Fugi de casa, atravessei a cidade, pra ir desenhar no consultório da mãe (eu tinha uns 3 anos). Forcei uma amiguinha a descer uma ladeira de bicicleta e ela se estatelou no fio da calçada (eu tinha uns 7 anos). Tomava café e comia biscoitos na sala dos professores no recreio, enquanto os colegas torravam no sol (eu tinha uns 6 anos)… Isso é o que pode ser contado neste horário!


