Rato alado e outros bichos
Janeiro 29, 2009
Em primeiro lugar, meu protesto: bem que poderia, ao menos, ter sido uma dessas belas versões cinematográficas (esse, esse, esse, ou esse). Parado (ou melhor, esmagado) na minha janela, com aquele jeitinho soturno e carente. Podia mesmo ser uma versão dessas, espreitando janelas alheias. Mas um morcego, animal, de verdade?
Eu já ouvi muitas histórias sobre os pequenos visitantes alados do Ada. Na verdade, na minha primeira semana aqui a vizinha, de quem até hoje não sei o nome (não porque ela não tenha dito, é porque não lembro mesmo!), fez a gentileza de me apavorar, dizendo que os morcegos menores entravam pelas janelas fechadas, e que mesmo a tela de proteção que ela tinha colocado no quarto da filha já tinha sido roída pelos monstrinhos sugadores de almas que vévêm pelas copas das árvores do parque.
NUNCA na história desse país eu gostei de morcegos. Mas também nunca me preocupei com eles. Em dois anos de martírio nos círculos dantescos do Ada, nunca um morcego REALMENTE tinha tentado entrar na minha casa. Eram só histórias.
Pois não é que hoje, ao abrir a janela, encontro um ratinho esmagado? Passou de tudo nessa cabeça abobalhada, que tem verdadeiro pavor de roedores. <Primeiro pensamento: tá vivo?> Tá esmagado mas não se vê sangue. Pode, sim, estar vivo. Então o julgo um semi-vivo. Pra previnir. <Segundo pensamento: se tem um, tem mais.> É como barata. Quando você avistar uma caminhando no armário abaixo da pia, já sabe que a casa está infestada. Mas ai veio o <terceiro pensamento: como ratos chegariam aqui em cima?> E pelo lado de fora do prédio?? <Quarto pensamento (esse foi da Helena): chamar o Mauro.> E não é que o guri inventou de aproveitar os últimos segundos de pura xaira antes de sair pro trabalho pra ficar estirado no sofá? Se recusou a levantar duas vezes, só tirava o rato dali quando levantasse pra ir pra rua. <Quinto pensamento: ligar pro pai.> Que está ilhado em Cangucity, porque o temporal liquidou qualquer acesso à Pelotas e região. O pai riu, né?! Riu é pouco, caiu na gargalhada quando eu disse que tinha um rato esmagado do lado de forma da minha janela num andar tão alto. Ele me aliviou dizendo que ratos não poderiam subir tão alto – ele deveria ter entrado com alguma caixa. Como ele não podia fazer nada, mas me consolou de que aquele exemplar era o único, parti pro meu <sexto pensamento: você consegue sozinha.> Homens são inúteis. E fui em busca da vassoura. Com a ajuda do cabo eu não precisaria chegar muito perto. E o Mauro dormindo. Cutuquei o bicho e ele semi-se-mexeu. Eu disse que ele tava vivo. A Helena disse que era coisa da minha cabeça. <Sétimo Pensamento, na verdade, idéia do Mauro que não aguentava mais: fechem a p**** da janela>. Fechei. Mas fiquei monitorando o bicho. Nisso a Helena já tinha feito uma análise meticulosa da anatomia do ser e percebido que aquilo não era um rato, obviamente. Era um morcego. Me acalmei totalmente. Mesmo sendo um morcego, que por si só já é um nojo, isso significava que a casa não tá infestada de ratos. M.a.r.a.v.i.l.h.a. Saí do quarto e esqueci do bicho. E o fim da história não tem muita graça: o pobre morcego foi empurrado pelo irmão janela abaixo e se engalfinhou com o varal de rua, depois foi novamente empurrado até cair, atordoado, na imensidão de claridade que já tomava a rua e voar, zonzo, até algum lugar lá embaixo. O ser está bem, eu acho.
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Mas esse não foi a única criatura que pousou nessa casa de ontem pra cá. Em sua versão de luxo, com capa de plástico e molas de plástico, em folha A4 e impressão de arrebentar bolsas e carteiras, eis que nasceu, ontem, enfim, a tal da dissertação. Criatura minha. Motivo de alívio, agora. A defesa será no dia 04 de Março, às 14:30 horas, no PPGCOM – com participação ilustríssima dos professores Luciana Mielniczuk (UFSM), Suely Fragoso (UNISINOS) e Alex Primo (UFRGS). Convidados estão… ![]()

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Janeiro 28, 2009
Pois eh, muito diferente da procrastinação geral que tomou conta do PPGCOM (vejam-se os exemplo de Maria Leene de La Vega e Aurora Sandrita Colunga em sua saga mexicana e apocalíptica, ou mesmo o caso do pushing thesis da menina-Penkáála), meu blog anda largado, às traças, jogado, deixado de lado, abandonado, desamparado, deserto, ermo, solitário, desprezado – coitado.
Não é má vontade, não. É a vida. E o twitter, pode-se dizer. O twitter tira a vontade de postar. Quando o tema surge, penso logo nos 140 caracteres que o definem e <enter>, tá postado no twitter. Além disso, a cabeça anda pra outros lados: dando piruetas em direção a um antigo futuro retomado. Coisas dessa eterna insatisfação, sabe?!
Mas vou retomando os trilhos…
Em março…
Janeiro 12, 2009
…a quem interessar. Na Feevale!

Geeks?!, uaAAAau
Janeiro 9, 2009
não
Janeiro 4, 2009
Não quero colo, nem casa ou algo que me acostume
Desse mundo, eu quero ser imune
Rodrigo Basílio


