Ao menos, novidades
Agosto 30, 2008
Por mais que as coisas sejam complicadas, e a culpa é sempre do “tempo”… O blog novo, e os amiguitos da rede, me ofereceram bons motivos pra gastar mais dinheiro na Cultura. Fato é que, ao que parece, foi um $$ mega bem gasto…
No Lido e Anotado, um leitor indicou Campos de Carvalho que, juro, não conhecia. Comprei. Sim, ainda vou ler. Excêntrico!

Obra Reunida
Campos de Carvalho

O Complexo de Portnoy
Philip Roth
O outro, claro, só podia. Dica da Pinta intelectual mais incrível do planeta (desse e do outro, Marte). Li o primeiro cap. Incrível. ![]()
Bom demais ser feliz com páginas…
Ler também se aprende
Agosto 22, 2008

Para ler como um escritor
Francine Prose
Zahar (2008 )
Todos nós começamos como leitores atentos. Mesmo antes de aprendermos a ler, o processo de ouvir leituras em voz alta significa que assimilamos uma palavra depois da outra, uma frase de cada vez, que prestamos atenção ao que quer que cada palavra ou frase esteja transmitindo. É palavra por palavra que aprendemos a ouvir e depois a ler, o que parece adequado, porque, afinal, foi assim que os livros que lemos foram escritos.
Quanto mais lemos, mais rapidamente somos capazes de executar o truque mágico de ver como as letras foram combinadas em palavras dotadas de sentido. Quanto mais lemos, mais compreendemos, mais aptos nos tornamos a descobrir novas maneiras de ler, cada uma ajustada à razão que nos levou a ler um livro particular.
Esse trecho de “Para ler…” permite um síntese do tipo de leitura a qual Francine Prose* nos convida. O processo da leitura atenta, bem mais complexa do que parece a primeira vista, sugere um aprofundar ao texto, ao autor, às formas da linguagem… Através desta análise metódica Prose constrói seu livro, um verdadeiro curso de leitura, onde cada capítulo é dedicado a diferentes aspectos da leitura, da escrita literária: diálogos, personagens, parágrafos, ambientes… Uma das mairores riquezas do livro, além da enorme experiência pessoal e profissional da autora, são os exemplos que Prose oferece a cada página – verdadeiros exercícios de “bem ler”.
O livro permanece basicamente centrado em autores norte-americanos e ingleses, além dos russos – paixão pessoal da autora, abstendo-se de recuperar grandes mestres das letras, de outros circuitos literários. Apesar disso, a edição brasileira traz um adendo, elaborado por Italo Moriconi – que aplica a proposta da autora em obra de mestres brasileiros como Drummond, Machado e Graciliano.
Vale destacar ainda a lista de “leituras indispensáveis” da literatura nacional e internacional, oferecida pelos autores. Nela, e nas leituras que surgem durante todo o livro, somos apresentados à clássicos, famosos ou não, e possivelmente descobrimos alguma novidade interessante para nossas estantes intelectuais. Boa e atenta leitura!!

* Francine Prose é autora de mais de uma dezena de obras de ficção, uma delas finalista do National Book Award. Crítica e ensaísta respeitada, foi professora de literatura e criação literária por mais de 20 anos em universidades como Harvard, Columbia e Iowa.
Livros e meninas não combinam com dor
Agosto 20, 2008

A menina que roubava livros
Markus Zusak
Editora Intrínseca (2007)
Um livro preto, perdido numa imensidão de caos e neve.
Uma menina que enganou a Morte, por três vezes.
E exatamente ela, a Morte, que calmamente assitia a cena, é a escolhida de Zusak* para nos contar essa história. Ao se aperceber do livro abandonado, o apanhou: foi a necessidade de contar a vida dessa criança. A Morte descreveu a história como “uma dentre a pequena legião que carrego, cada qual extraordinária por si só. Cada qual uma tentativa – uma tentativa que é um salto gigantesco – de me provar que você e sua existência humana valem a pena“.
Desde de seu primeiro roubo, a menina, Liesel Meminger, recolhe não só os livros, mas também os semblantes de seus próprios retalhos de vida, que foram ficando pelo caminho.
Ela simplesmente já não se importava.
Durante muito tempo, ficou sentada e viu.
Ela vira seu irmão morrer com um olho aberto, outro ainda no sonho. Dissera adeus à mãe e imaginara sua espera solitária de um trem, de volta para o limbo. Uma mulher de arame tinha-se deitado no chão, com seu grito percorrendo a rua, até cair de lado, como uma moeda rolada que houvesse perdido o impulso. Um rapaz pendera de uma corda feita de neve de Stalingrado. Ela vira um piloto de bombardeiro morrer numa caixa de metal. Vira um homem judeu, que por duas vezes lhe dera as mais belas páginas de sua vida, ser forçado a marchar para um campo de concentração. E, no centro de tudo, viu o Führer berrando suas palavras e passando-as adiante“.
Ao analisar tudo, quando pensava sobre as histórias de Max, como ‘A Semeadora de Palavras’; quando lembrava da bravura de Rudy, lançando-se no frio do rio Amber para resgatar um dos livros da menina; quando vislumbrava a estatura de armário, os xingamentos e o coração monumental da mãe de criação; quando sonhava com o irmão que sempre permaneceu com 6 anos; e, especialmente quando acordava com o consolo do amado pai do acordeão – ao analisar tudo, Liesel não pode pensar em mais nada além do que usou para encerrar a narrativa de sua vida: “Odiei as palavras e as amei, e espero tê-las usado direito“.
Uma menina, um acordeão, um amor, um judeu – e os livros… Uma história. E como diz a ‘orelha do livro’ sobre a narradora, “um dia todos irão conhecê-la. Mas ter a sua história contada por ela é para poucos. Tem que valer a pena“…
____ Leitor Lido!
Segundo nossa querida amiga Marilia, em seu relato sobre as páginas de Zusak, “o livro vale a pena, demais! Ainda lerei-o várias e várias vezes ao longo de minha vida, a não ser, é claro, que a Morte resolva me buscar antes. [...] A sensação que me fica na alma, ao terminar de lê-lo, condiz com a frase final, proferida pela Morte: “Os seres humanos me assombram”. A mim também”.
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Mesmo não sendo uma obra prima da literatura, o quinto romance de Zuzak tem uma poética tocante, envolvendo o leitor nos dramas e sonhos de uma pequena e desaparada personagem que, através do amor aos livros, se aproxima de cada leitor, o tornando quase um cumplice. Narrativa leve, mas obstinada, permeada pelo fantástico ao ter como narradora a figura mítica da Morte, uma morte “imortal”, a deusa que colabora para a ordem do mundo, e que o conhece desde sempre.
E pelo “conhecimento” que a Morte demonstra sobre a alma humana, começamos a nos surpreender com os movimentos mais simples e doces que se desenvolvem no caos. As palavras, em uma história, são capazes de modificar mundos. Capazes de reacender esperanças. Capazes de ensinar que apesar de o universo conspirar contra a humanidade, apesar de, muitas vezes, não conseguirmos perceber nossa humanidade por trás de nossa crueldade, ela está lá. Acesa. Brilhante.
As pessoas só observam as cores do dia no começo e no fim, mas, para mim, está muito claro que o dia se funde através de uma multidão de matizes e entonações, a cada momento que passa. Uma só hora pode consistir em milhares de cores diferentes. Amarelos céreos, azuis borrifados de nuvens. Escuridões enevoadas. No meu ramo de atividade, faço questão de notá-los…”

*Markus Zusak é australiano, filho de mãe alemã e pai austríaco, e cresceu cercado por histórias da época da Guerra. Aos 30 anos é considerado uma revelação na arte do romance, já premiado com o Printz Honor de excelência em literatura jovem. Com o “A menina…” permaneceu 40 semanas no top dos livros mais vendidos do New York Times, tendo chegado ao 1º lugar.
Vingança
Agosto 20, 2008

Escrevi sobre o mascarado no LIDO E ANOTADO…
HQ dos clássicos, simplesmente fantástico.! ![]()
Idéias são à prova de balas…
Agosto 20, 2008
V de Vingança
Alan Moore, David Loyd
Panini (2006)
Em certo momento V, personagem central da trama de Moore*, esclarece que “numa burocracia, cartões perfurados são a realidade. Abra novos furos e você recria a realidade” e a sentença nos ajuda a compreender os mistérios por trás da máscara sorridente. V é uma misteriosa e anárquica personagem que parece surgir do nada na rotina dos cidadãos de um Reino Unido imaginário, que no 1997 criado por Alan Moore vivia a opressão protetora de um totalitarismo tecnológico. O mascarado, através de seus métodos teatrais e dramaticamente didáticos de chamar a atenção para a causa que defende, mobiliza a jovem Evey em seu propósito de uma revolução capaz de libertar o país das mãos tiranas dos traidores da Justiça, sua amante. Originalmente escrito entre 1982 e 1983, posteriormente publicado pelo prestigiado selo da Vertigo nos Eua (1988 ) e pela Globo no Brasil (1989), V de Vingança é um dos épico das HQ’s que acabou nas telonas (2006), com produção dos irmãos Wachowski (Matrix).
A anarquia ostenta duas faces, a criadora e a destruidora. Destruidores derrubam impérios, fazem tela com os destroços, onde os criadores erguem mundos melhores. Os destroços, uma vez obtidos, tornam as ruínas irrelevantes. Fora com os explosivos, então. Fora com os destruidores. Eles não têm lugar em nosso mundo melhor!”


* Alan Moore é britânico, considerado um dos maiores escritores de HQ’s do mundo, colaborou intensamente para a a popularização do gênero entre os adultos. Começou seu trabalho na revista britânica de antologias Warrior, e é autor de títulos como Watchman e Mostro do Pântano, além de edições de Superman e Batman.
Aos autores, as histórias
Agosto 19, 2008

A Sombra do Vento
Carlos Ruiz Zafón
Editora Objetiva (2004)
Nos minutos seguintes em que terminei a leitura desta história sobre histórias, minha primeira ação foi pesquisar por Carlos Ruiz Zafón*, o autor, no Google. E, ao que parece, o primeiro mérito de A Sombra do Vento se cumpre: a obra desse espanhol erradicado em Los Angeles instiga no leitor a necessidade de buscar conhecer aqueles por trás das histórias, os que as assinam, os autores.
Em uma trama envolvente, Zafón nos apresenta à Daniel Sempere, um jovem leitor, filho de um livreiro simples de Barcelona, que perdeu a mãe muito cedo e sonha se aventurar pelo universo das palavras, como escritor. E é com Daniel que seguimos adiante, em busca de respostas sobre a misteriosa existência de Julián Carax, um escritor espanhol que muito jovem se mudou para a França, em circunstâncias não muito claras, e que, mesmo sem nenhum sucesso editorial e vivendo de pianista em bares parisienses, lançou vários títulos, entre eles, um tal de A Sombra do Vento – que Daniel resgata, acidentalmente, de um sociedade secreta chamada Cemitério dos Livros Esquecidos.
E é a curiosidade de Daniel que nos envolve nos mistérios do passado de Carax: mistérios que envolvem até mesmo um assassino de livros, uma figura demoníaca que sai de um dos livros de Julian com o objetivo de destruir tudo o que o autor já havia publicado.
Situado na conturbada Barcelona da década de 1950, entre passado e presente, A Sombra do Vento, que se pretende o primeiro título de uma tetralogia sobre a cidade espanhola, retrata um tempo de muita apreensão e mudanças, onde o tom denunciador da ditadura de Franco é retratada nas frias e úmidas descrições da cidade – característica que nunca abandona o texto, sempre parece chover nas páginas de Zafón.
Fermín é mesmo hilário… O texto todo, por sinal, é muito bem escrito. E o livro foi finalista dos prêmios literários espanhóis Fernando Lara 2001 e Llibreter 2002. Vale conferir a crítica do Digestivo Cultura, de onde retirei as citações.

* Carlos Ruiz Zafón é um escritor espanhol, ganhador do prêmio Ebedé de literatura já por seu primeiro romance (O Príncipe da Névoa) e considerado uma das maiores revelações da literatura mundial. Zafón começou sua carreira com a literatura infantil, mas tornou-se celebridade literária com este “A Sombra do Vento”. O autor mora e trabalha nos Estados Unidos, onde é roteirista de cinema.
A leitura tem sua história
Agosto 18, 2008

A aventura do livro -
do leitor ao navegador
Roger Chartier
Unesp (1998 )
Obra com uma postura gráfica deslumbrante, conteúdo denso e empolgante, “A aventura do livro” é um registro de conversas do francês Roger Chartier* sobre a fantástica história dos livros como suportes de leitura, chegando a imaterialidade do texto eletrônico. Quem pensa que densidade e conteúdo são sinônimos de leitura complicada e estafante engana-se enormemente. A coletânea de fantásticas imagens que acompanham a evolução temporal da história da leitura, unida a uma diagramação leve e ao tom informal do texto ganham o leitor já nas primeiras páginas e encaminham cada novo tópico de discussão de forma natural. Para instigá-los um pouco mais, aproveito a textualidade dos códigos de programação para lhes presentear com uma passagem, muito interessante, onde o autor reflete sobre as reconfigurações da Internet frente à imagem sonhada de uma biblioteca universal:
Desde Alexandria, o sonho da biblioteca universal excita as imaginações ocidentais. Confrontadas com a ambição de uma biblioteca onde estivessem todos os textos e todos os livros, as coleções reunidas por príncipes ou por particulares são apenas uma imagem mutilada e decepcionante da ordem de saber. O contraste foi sentido como uma intensa frustração. Esta levou à constituição de acervos imensos, à vontade das conquistas e confiscos, a paixões bibliófilas e à herança de porções consideráveis do patrimônio escrito. Ela inspirou, igualmente, a compilação dessas “bibliotecas sem paredes” que são os catálogos, as coletâneas e coleções que se pretendem paliativos à impossibilidade da universalidade, oferecendo ao leitor inventários e antologias. Com o texto eletrônico, a biblioteca universal torna-se imaginável (senão possível) sem que, para isso, todos os livros estejam reunidos em um único ligar. Pela primeira vez, na história da humanidade, a contradição entre o mundo fechado das coleções e o universo infinito do escrito perde seu caráter inelutável.”

* Roger Chartier é hitoriador, professor e diretor do Centro de Pesquisas Históricas na Ecole des Hautes Etudes em Ciências Sociais na França. Dedica seus estudos à importância da leitura na Europa moderna e explora a relação entre o texto e o leitor na era informática. É um dos mais conhecidos historiadores da atualidade, com obras publicadas em vários países do mundo e sua reflexão teórica inovadora abriu novas possibilidades para os estudos em história cultural e estimula a permanente renovação nas maneiras de ler e fazer a história.
Na volta da esquina
Agosto 15, 2008

Na volta da Esquina
Mario Quintana
Editora Globo (1979)
Este livreto é uma de minhas relíquias pessoais. Lançado em 1979, como o quarto volume de uma coletânea chamada Coleção RBS, editada pela Globo, “Na volta da Esquina” reúne poemas e pequenas crônicas do inigualável Mario Quintana*. Nele encontram-se versos como “Conto de Terror”, “O Supremo Castigo” e “Nada”… Vale a pena garimpar sebos atras dele!
O nada é a palavra que mais assusta o comum das gentes. Mas, para exorcizá-lo, ninguém precisa ir aos padres, às mães-pretas, aos índios velhos, ao diabo: basta ir a um dicionário e verá que o nada não existe. Sim, é uma coisa tão absurda como a existência do mundo…” (Nada)
E um dia os homens descobriram que esses discos voadores estavam observando apenas a vida dos insetos…” (Conto de Horror)

* Mario Quintana é um dos maiores poetas brasileiros. Nascido no Rio Grande do Sul em 1906, onde trabalhou, onde escreveu, onde poetou, onde morreu, em 1994. Narrou em versos as coisas como as viu, ou as sentiu, traduziu mestres como Prost, Virginia Wolf e Voltaire, e com eles aprendeu. E de tanto aprender, conheceu melhor a si mesmo, como dizia: “Prefiro citar a opinião dos outros sobre mim. Dizem que sou modesto. Pelo contrário, sou tão orgulhoso que acho que nunca escrevi algo à minha altura. Porque poesia é insatisfação, um anseio de auto-superação. Um poeta satisfeito não satisfaz.” [aqui]
E se música fosse literatura?
Agosto 15, 2008

Vou aproveitar a familiaridade de um querido amigo, pra apresentar uma proposta muito interessante na prática, ou melhor, em traços, pontos e palavras. A Mojo Books é a primeira editora 100% digital. Tem uma proposta simples, e por isso mesmo, genial: e se música fosse literatura, que história contaria?
O Reges Schwaab*, imerso na proposta, escolheu a calmaria nostalgica de Fernandinha Takai, com “Diz que fui por aí“, para tecer seu conto. É uma das novidades, entre tantas interessantes, neste universo particular da Mojo Books.
E andou com a graça que o amor lhe deu. Realidade em poesia. Enxugou o suor, parado em frente à casa. “Seja meu”. Primeiro beijo. E aqueceu; “Todo o mundo”. Ponteiros nortearam para sul e para cima. Segundo beijo. E ardeu. Portas abertas. “Que vejam”. E. “Use só sinceridade agora”.

* Reges Schwaab é um garoto descobrindo o mundo. Autor do eRRuD!To, colecionador de cadernos em branco, decidiu que estava na hora de escrever neles. Conta-se, ainda, que é jornalista, doutorando em Comunicação na UFRGS e mora em Porto Alegre, Rio Grande do Sul.
Projeto de blog
Agosto 14, 2008

Estou bolando este novo projeto de blog… Não sei bem o que é, ou como vai ser – até porque “dedicação” é coisa complicada também em vida pré-pesquisadora. Ainda assim, é um espaço para catalogar e filosofar sobre o que mais gosto: livros. Sem pretensões muito estapafúrdias, apenas diversão e, quem sabe, alguns centavos com a ajuda dos leitores… Estou planejando tags com biografia de autores (clássicos e hits) e indicações de leituras… Também espero poder receber indicações de leituras, o que sempre é muito bem-vindo!!
É o LIDO E ANOTADO… Que começa como blog, em fase de elaboração, mas que pode se tornar mais robusto com o tempo, recursos, e “dedicação”.! Apareçam por lá, e comprem pelos links…!


