Notas dos eus em mim

Essas coisas todas são apenas traços de palavras…

Hiper-links

com 4 comentários



Uma das rotinas que mais me intriga nesse cotidiano da Rede é a rotina de linkar. Sabe? Navegar ao léu, seguindo apenas as trilhas do próprio instinto, de um interesse, e perceber, na descrição de um link qualquer, se acender em seu cérebro uma espécie de “tag de memória”, que lhe lembra de algo, que lhe estimula ao click, a seguir naquela direção hipertextual. No momento seguinte, o que há de técnico em um hipertexto se molda com o que há de mágico na imaginação de outro, que através das palavras, envolve a sua imaginação, em um processo contínuo de estímulos elétricos (máquina e cérebro). Você gosta do que lê, em um blog, por exemplo. Você gosta e pensa em voltar ali. Você cria um link.

Esse mistério de seguir e ser seguido por pessoas que você nem imagina que existam, respirem, amem, chorem, cansem, cuidem, preguem, digitem, pensem tão próximo de você parece uma coisa simples. Mas é uma espécie de novidade, não!?

A cena, longe dos computadores, não seria menos interessante. Alguém que, caminhando pela rua, se depara com um rosto, um ser que percebe tão magnífico, imperdível. Uma pausa em frente a pessoa: “- Com licença, você pode parar um instante para que eu crie um link de você para colocar na minha sala?”. Um flash rápido e o cidadão virou imagem pelas lentes da imaginação. Logo adiante, uma conversa animada parece ser também interessante. Um qualquer, passante da calçada, se aproxima da mesa em que colegas discutem sobre um tópico polêmico da nova lei que está em votação. O estranho começa a escutar a conversa, bebe um gole da cerveja de um copo que estava sobre a mesa – os rapazes parecem nem perceber que aquele homem está por ali. De repente, ele resolve que precisa mostrar isso a filha, com quem discutiu na noite anterior aos mesmos termos. Ele saca um gravador do bolso da jaqueta e começa a registrar tudo o que é dito. Mais um link.

Sempre fico imaginando o que leva uma pessoa a criar um link para um blog. Tem os motivos toscos, do tipo aumentar o page rank, ou coisas do tipo. Mas não é desses que estou falando. Me refiro a esse movimento libertário de conhecer/gostar/voltar/linkar. O que faz com que pessoas que não conheço queiram conhecer mais de mim, através dos meus arranjos hipertextuais?



Written by L@uR!nh@

Julho 25, 2008 às 4:39 pm

Publicado em Pensando

4 Respostas

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  1. Engraçada e interessante a visão não-virtual!

    Ma

    Julho 25, 2008 em 11:43 pm

  2. Laurinha, sabia que tenho pensado MUUITO nisso? Na esteira de ter criado meu blog, tenho tido o imenso prazer de interagir com pessoas de fantásticas, as quais – provavelmente – jamais conheceria… Bjo

    Anelise

    Julho 27, 2008 em 11:08 am

  3. Fantástico, não, Ane!??

    Laura

    Julho 27, 2008 em 3:39 pm

  4. Bem pensado. Bom texto! :)

    Glenda

    Julho 28, 2008 em 5:58 pm


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