Quando percebeu
Julho 17, 2008
Pensou mesmo que sabia o que queria contar.
Pensou que sabia que a realidade é feita pelos detalhes.
E pensou que era a realidade o que queria mostrar.
Aí, em uma dessas tardes estranhas, sol forte em pleno julho desgovernado, nada da solidão do inverno, um Borges novinho no colo – resultado da frustração do show com ingressos esgotados, e o pensamento tranquilo, vagando o olhar entre os prédios até as nuvens brancas ao longe, percebeu que nunca poderia escrever sobre a realidade. Não é fantástico? Óbvio. Não conhecia a realidade. Nunca a tinha visto. E, com uma vaga certeza, podia até concluir que ela nem mesmo existe.
Não se pode escrever sobre o que não existe.
Mas, pelo universo da imaginação, pelo fantástico, pode-se criar o não-existente.
Tornando-o existente.
Tornando-o contável.
Tornando-o real.



Julho 17, 2008 at 10:47 am
tá tão bonitinho esse teu bloguinho, dona Laurinha.
fófis, muito fófis.