Hiper-links

Julho 25, 2008



Uma das rotinas que mais me intriga nesse cotidiano da Rede é a rotina de linkar. Sabe? Navegar ao léu, seguindo apenas as trilhas do próprio instinto, de um interesse, e perceber, na descrição de um link qualquer, se acender em seu cérebro uma espécie de “tag de memória”, que lhe lembra de algo, que lhe estimula ao click, a seguir naquela direção hipertextual. No momento seguinte, o que há de técnico em um hipertexto se molda com o que há de mágico na imaginação de outro, que através das palavras, envolve a sua imaginação, em um processo contínuo de estímulos elétricos (máquina e cérebro). Você gosta do que lê, em um blog, por exemplo. Você gosta e pensa em voltar ali. Você cria um link.

Esse mistério de seguir e ser seguido por pessoas que você nem imagina que existam, respirem, amem, chorem, cansem, cuidem, preguem, digitem, pensem tão próximo de você parece uma coisa simples. Mas é uma espécie de novidade, não!?

A cena, longe dos computadores, não seria menos interessante. Alguém que, caminhando pela rua, se depara com um rosto, um ser que percebe tão magnífico, imperdível. Uma pausa em frente a pessoa: “- Com licença, você pode parar um instante para que eu crie um link de você para colocar na minha sala?”. Um flash rápido e o cidadão virou imagem pelas lentes da imaginação. Logo adiante, uma conversa animada parece ser também interessante. Um qualquer, passante da calçada, se aproxima da mesa em que colegas discutem sobre um tópico polêmico da nova lei que está em votação. O estranho começa a escutar a conversa, bebe um gole da cerveja de um copo que estava sobre a mesa – os rapazes parecem nem perceber que aquele homem está por ali. De repente, ele resolve que precisa mostrar isso a filha, com quem discutiu na noite anterior aos mesmos termos. Ele saca um gravador do bolso da jaqueta e começa a registrar tudo o que é dito. Mais um link.

Sempre fico imaginando o que leva uma pessoa a criar um link para um blog. Tem os motivos toscos, do tipo aumentar o page rank, ou coisas do tipo. Mas não é desses que estou falando. Me refiro a esse movimento libertário de conhecer/gostar/voltar/linkar. O que faz com que pessoas que não conheço queiram conhecer mais de mim, através dos meus arranjos hipertextuais?



Trabalho Escravo

Julho 24, 2008






O Prof. Rodrigo Schwarz está lançando seu livro “Trabalho Escravo: a abolição necessária“, uma leitura que busca colaborar para a compreensão da escravidão nos dias atuais, sua amplitude e seu vínculo com a dinâmica do capitalismo. O Dr. Rodrigo é Juiz do Trabalho e foi meu professor na época do curso de Direito em Pelotas. O livro está sendo lançado pela Editora LTr e já está à venda no site (e em breve também nas livrarias)…



Artistic Web

Julho 23, 2008




Essa é minha obra artistica principiante no Scribbler, um “generative illustration toy”… Maravilhoso! Fico uma abobada vendo as linhas se transformarem em… parece teias de aranha. Por falar em linhas se transformando, outra dica legalzinha: no Sketch Swap você desenha um e ganha um desenho de presente. O exemplo abaixo é de um dos desenhos que ganhei… Tem coisas engraçadas e outras tri bem feitas!… É tudo no mouse, mesmo! :P




Lembrete interno

Julho 21, 2008




A Raquel postou sobre o lançamento, no dia 13 de Agosto, do livro “Eu, Mídia – A Era Cidadã e o Impacto da Publicação Pessoal no Jornalismo“, organizado pelo Mario Cavalcanti (do Jornalistas da Web). O livro terá uma seleção de artigos (inclusive da própria Raquel!) sobre a temática da pessoalização no jornalismo da Rede. O lançamento será no Rio, na Livraria da Travessa do Shopping Leblon, às 19h… Esse post é pra ajudar na divulgação do título, e pra que eu não esqueça de comprá-lo! ;)



Do post ao pano

Julho 17, 2008




Estou quase doente esperando o lançamento da Vovólima, “pra levar pra casa”… Se tudo estiver nos conformes com a turma do .marcaria, a primeira bonequinha da fantástica turma do .faso será lançada ainda em Julho. E ela ficou tããão lindóca, como pode-se acompanhar nos vídeos do ensaio fotográfico feito pro seu lançamento…






Então tá, então… Eu recebi esse meme da Penke e da MC, por isso vou ceder essa pressão e responder logo. Se bem que esse eu achei difícil. Lá vai:


regras:

1) Escrever uma lista com 8 coisas que sonhamos fazer antes de morrer;
2) Convidar 8 parceiros(as) de blogs amigos para responder também;
3) Comentar no blog de quem nos convidou;
4) Comentar no blog dos nossos(as) convidados(as), para que saibam da “intimação”;
5) Mencionar as regras.


“As” 8 coisas:

1. Ler todos os bons livros já escritos no mundo (e só ler os bons);
2. Ter meus filhos (mas só teria um saído de mim…)
3
. Ver a Terra pelo ângulo do universo;
4. Escrever UM ótimo conto na vida (já seria suficiente pro meu ego :P );
5. Ter o meu próprio jornal em Canguçu;
6. Viajar por todos os países da minha lista (semi-copiado da Penke);
7. Hackear um cartão de créditos que se torne SEM limite e SEM fatura;
8. Morar em POA, mas na casa da minha infância – que está plantada em Canguçu;


Estão em um ordem que não necessariamente precisa ser obedecida. Além disso, passo esse meme para Helena, Ane, Gustavo, Glenda, André, Andréia, Larissa e Tati. Queria passar para a Pinta, mas só podem ser oito e váááários outros bloggers já fizeram isso. Então… Mas quem mais quiser, sinta-se a vontade.!


O Aleph

Julho 17, 2008



Vi o mar populoso, vi a alvorada e a tarde, vi as multidões da América, vi uma teia de aranha prateada no centro de uma negra pirâmide, vi um labirinto truncado (era Londres), vi intermináveis olhos imediatos perscrutando-se em mim como num espelho, vi todos os espelhos do planeta e nenhum me refletiu, (…) vi cachos de uva, neve, tabaco, veios de metal, vapor de água, vi convexos desertos equatoriais e cada um de seus grãos de areia, (…) vi ao mesmo tempo cada letra de cada página (quando menino, eu costumava me maravilhar com o fato de as letras de um volume fechado não se misturarem nem se perderem no decorrer da noite), vi a noite e o dia contemporâneos, (…) vi a delicada ossatura de uma mão, vi os sobreviventes de uma batalha enviando cartões-postais, vi numa vitrine de Mirzapur um baralho espanhol, vi as sombras oblíquas de algumas samambaias no chão de uma jardim-de-inverno, vi tigres, êmbolos, bisões, marulhos e exércitos, vi todas as formigas da Terra, vi um astrolábio persa, (…) vi a circulação de meu sangue escuro, vi a engrenagem do amor e a transformação da morte, vi o Aleph, de todos os pontos, vi no Aleph a Terra, e na Terra outra vez o Aleph e no Aleph a Terra, vi meu rosto e minha vísceras, vi teu rosto, e senti vertigem e chorei, porque meus olhos tinham visto aquele objeto secreto e conjectural cujo nome os homens usurparam mas que nenhum homem contemplou: o inconcebível universo.


O Aleph
Jorge Luis Borges


Quando percebeu

Julho 17, 2008



Pensou mesmo que sabia o que queria contar.
Pensou que sabia que a realidade é feita pelos detalhes.
E pensou que era a realidade o que queria mostrar.

Aí, em uma dessas tardes estranhas, sol forte em pleno julho desgovernado, nada da solidão do inverno, um Borges novinho no colo – resultado da frustração do show com ingressos esgotados, e o pensamento tranquilo, vagando o olhar entre os prédios até as nuvens brancas ao longe, percebeu que nunca poderia escrever sobre a realidade. Não é fantástico? Óbvio. Não conhecia a realidade. Nunca a tinha visto. E, com uma vaga certeza, podia até concluir que ela nem mesmo existe.

Não se pode escrever sobre o que não existe.
Mas, pelo universo da imaginação, pelo fantástico, pode-se criar o não-existente.
Tornando-o existente.
Tornando-o contável.
Tornando-o real.


Bobos Beach Boys

Julho 16, 2008



Tem sempre aquele filme bobo, que você não cansa de assistir? Chega a ser cômico, mas você ri das mesmas, mil vezes contadas, piadas? Chora, ou quase, sempre nas mesmas partes ridículas, que você sabe de cor onde estão e como são? Sabe alguns diálogos na ponta da língua e até aprendeu a cantar a musiquinha tosca que o cara canta pra amada?



Pois o meu “esse filme” é o 50 First Dates.
E passou pela milésima vez na semana, ontem a noite, na TV…
E agora eu estou com a porcaria da música dos Beach Boys na cabeça.
Todo dia. Ninguém merece…

Wouldn’t it be nice if we were older
Then we wouldn’t have to wait so long
And wouldn’t it be nice to live together
In the kind of world where we belong

You know it’s gonna make it that much better
When we can say goodnight and stay together




É não ter nada mesmo pra postar!
Mas é a cena mais engraçada do filme…


Não sou uma só

Julho 16, 2008



O que se conhece hoje do cérebro é que ele funciona através de comunicação e, portanto, através de uma linguagem. Quanto mais as células se comunicam, mais o cérebro vai render. Quando se fala em linguagem, está se falando de um aglomerado de células, empilhadas, formando um tecido.

A sinapse está ligada aos neurônios, só existe na célula nervosa. E o interessante da célula nervosa é que uma não toca na outra. Ela quase toca na outra, quase encosta. A sinapse é a ligação entre duas células que, através de uma gigantesca conversa química, vai reger, literalmente, de 5 a 7 bilhões de células. Uma envia informação e outra recebe, e isso se dá por meio desse quase contato.

Talvez a alma, que o homem procura há milênios, esteja justamente nesse quase toque. E, quem sabe, a sinapse possa explicar os diversos dons artísticos, como compor, pintar, escrever. Além de ser responsável por sentimentos religiosos e místicos. A sinapse é uma coisa bem romântica.



NAO SOU UMA SÓ
Marina W.