Por acaso
Foi um acaso. Uma dessas histórias que, de tão simples, não valeria a pena disperdiçar tinta (ou caracteres ASCII) ou mesmo a expectativa de um feed a ser seguido. Nessa história tem um balão verde, com uma forma estranha. Isso até poderia ser contado, mas em outra história. Porque essa aqui, não. Não vale a pena ficar perdendo tempo com esses passos fracos, com esse movimentos lentos. Afinal, foi só um acaso. Se bem que não parece certo, ao menos não pra mim, que se estimule outros com as cores e formas e movimentos, ou até mesmo com os cheiros – cheirava bem essa história – de uma cena que nem vale a pena ser contada e depois, realmente, não se a conte. Porque isso não parece justo. Por mais que não vá valer a pena escutá-la ou ler as representações em ASCII da linguagem determinada que permite entendê-la. Talvez mesmo os acasos tenham alguma importância. Ao menos para os que vivem o tal acaso. Mas talvez também para alguém que viveu, ou gostaria de viver, uma situação semelhante. Talvez possa ser útil ter um acaso alheio ao qual recorrer. Ainda mais que aqui não se diz – não porque não se saiba, apenas porque assim é pra ser – quem são, exatamente, as experientes personagens que viveram a real (ou ficcio-real) experiência de puro acaso que aqui não valeria a pena ser narrada. Ainda assim, como um acaso, em uma tarde cinza de um inverno apenas começado, num desses dias de vento congelante, enquanto um pequeno raio de sol atravessava a muralha espessa e dolorida de nuvens cinzentas, enquanto um balão verde com forma estranha se perdia na imensidão esbranquiçada, enquanto a porta de esquina se abria, libertando o ansioso cheirinho de café que agora seguiria alegrando corações gelados. Enquanto tudo isso acontecia, e enquanto a moça, com aquele cachecol lilás e as botas novas, deixava o aconchego do fogo na lareira para enfrentar o rigor do dia cinza lá fora, o acaso deu seu jeito e colocou aquele rapaz a dobrar a esquina. A moça percebeu o balão verde de forma estranha e se entreteu com ele por alguns segundos, enquanto ainda empurrava a porta da cafeteria. O rapaz, enfraquecido pelo vento gelado, parecia procurar alguma coisa no seu próprio umbigo. Os dois acabaram num encontrão. – “Desculpe.” E, por acaso, cada um pro seu lado. Sem balão. Sem café. Só o frio e o cinza. E o cachecol lilá a esvoaçar, por acaso.








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que bonito! que triste! cada um pro seu lado.. mas eu gosto de histórias sem final feliz… na ficção.
ai laura, to de casa nova de novo… roubaram meu blog velho, assim como o orkut e tudo mais
beijinhos!! e muito café nesses dias gelados aí!
Tati
Junho 30, 2008 em 10:06 pm
sei. aham.
marcia
Julho 1, 2008 em 12:36 am
Tati,
que aconteceu, menina? Conta direito…
Obrigada pelo aviso…
Marcia… Bleh, pra ti!
Bjoks
L@uR!nh@
Julho 1, 2008 em 8:56 am