Pink Punk
O sujeito usava uma frase, uma fórmula, para justificar todas as suas ações, mas também as inações: “eu preferiria não” era o que ele dizia mesmo que fizesse alguma coisa ou continuasse fazendo o que sempre fez, ou seja, copiando documentos. Fazendo ou não, ele preferiria não fazer. Mas “preferiria” é um tempo de verbo estranho. Trata de um passado e não de um presente a não ser para dizer do cancelamento deste presente. Eu sou Bartleby, tu és, ele é, todo mundo é… E, falo sério, é direito de cada um ser assim. Mas, mais que isso: se o mundo, a vida organizada do sistema social e econômico, não fosse tão opressiva, talvez pudéssemos ser representados por outros personagens mais instigantes e menos neurotizantes.
O tal sujeito é Bartleby, o escrivão personagem de Melville, e o texto é um trechinho do blog da Marcia Tiburi, no Gnt, o Pink Punk! Ela é uma dessas poucas pessoas que ainda me intrigam…








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