2 minutos de Steven Johnson
Fevereiro 28, 2008
Postei, uns dias atrás, sobre a entrevista de Steven Johnson para o Roda Viva – que aconteceu na segunda passada. Eu não consegui ver, infelizmente… Mas vou esperar o vídeo no Portal Roda Viva (deve aparecer por lá em breve…) que, aliás, é uma ótima iniciativa. Enfim, no videozinho do Youtube ele aparece uma fala pequena dele sobre a importância dos games para a formação das crianças – o que me parece uma coisa óbvia, mas tudo bem!
just for a while
Fevereiro 28, 2008
I always know
That you make me smile
Please stay for a while now
Just take your time
Wherever you go
Wherever you go, always know
Cause you make me smile
And just for a while
Colbie Caillat
Bubbly

Globalização 3.0
Fevereiro 27, 2008
Ahh, a moda do beta eterno! O jargão dos programadores que tomou conta das ciências sociais, como muitas vezes acontece, trata de definir os avanços (todos) como evoluções de versões, como a resolução de bugs e melhora do desempenho da sociedade. Sim, porque é isso que a “versão do programa” representa.
Se pensarmos na Web, e no conceito de Web 2.0, atééé que dá pra relevar – apesar de a aplicação do termo Web 2.0 ser bem complexa, a meu ver. Isso porque a Web, como diria o Levy (olha quem!) para o agrado dos cientistas da computação, tem dois pontos de vista explicativos diversos: um deles, mais técnico ou computacional, que representa as arquiteturas de programação (das versões 1.0 do tipo HTML, pra versões 2.0 do tipo ajax, CSS, etc…) – um sistema de organização de informações digitais ou um sistema de marcação que permite a formatação de diferentes tipos de conteúdos e dados. Já a outra perspectiva, aí sim muito funcional para os estudos das Ciência Sociais Aplicadas, está relacionada à Web como linguagem – uma nova linguagem, desenvolvida através de um sistema de interconexões hipermídia, capaz de congregar diferentes elementos lingüísticos tradicionais, como o texto, o som e a imagem, por exemplo, mas também elementos hipertextuais.
Neste segundo sentido a Web também passou por mudanças. Se a evolução da arquitetura de programação modifica a forma de construção do universo WWW, essas novas configurações moldam e são moldadas pela atividade humana na Rede. E surge a Web 2.0 dos cientistas sociais: usuários, mobilidade, participação, colaboração, bi/multi-direcionalidade…
Já a generalização do termo para a explicação dos processos sociológicos me parece um tanto quanto não-científica (se levarmos em conta a importância da precisão dos conceitos) e talvez bastante complicada. Para a globalização, por exemplo… Um artigo que eu estava lendo trazia a referência a uma proposta temporal sobre a globalização através de “versões evolutivas” (1.0, 2.0, 3.0…). A autora cita o livro de Thomas Friedman (“O mundo é plano” – que ainda não li por falta de oportunidade, $$):
Friedmann (2005) diz que hoje o mundo é plano e divide a história em: globalização 1.0 (de 1492 até 1800) que reduziu o tamanho do mundo de grande para médio e envolveu basicamente países e esforços individuais, iniciou quando Cristóvão Colombo embarcou, inaugurando o comércio entre o Velho e o Novo Mundo e durou até o Imperialismo; globalização 2.0 (de 1800 a 2000) que diminuiu o mundo do tamanho médio para o pequeno. A força dinâmica que moveu a integração global foi as empresas multinacionais que se expandiram em busca de mercados e mão-de-obra; globalização 3.0 (a partir de 2000) que está encolhendo o tamanho do mundo de pequeno para minúsculo e aplainando o terreno, construído com foco no indivíduo.
A maior contrariedade nesse tipo de visão é, exatamente, a perspectiva de evolução, desconsiderando as complexidades. O uso do jargão computacional implica o entendimento de que cada nova versão (de um game, da Web ou da Globalização) pressupõe melhoras, concertos de bugs ou erros, evolução do sistema. E, mesmo que com muitas ponderações possamos aplicar a expressão à WWW, sua generalização me parece um processo obscuro para as Ciências Socias. Dizer que a história evolui através do desenvolvimento da globalização oferece, no mínimo, controvérsias. O que é melhor e pior do que antes? As vantagens da globalização para as sociedades vêm acompanhada de perto por inúmeras desvantagens, como se as novas versões do beta eterno social viessem incorpadas de fábrica com vírus sempre mais poderosos.
Antes tarde…
Fevereiro 26, 2008
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A triste lógica de ‘qualquer’ estudante…
Fevereiro 26, 2008
UUuahhahhahhaaaa
Fevereiro 25, 2008
e-Communication
Fevereiro 24, 2008
Enfim, é preciso que até mesmo o óbvio seja dito, pra que não seja simplesmente atropelado pelo que está ‘nas bordas’. Por isso eu gosto tanto desse artigo do Orihuela. Diz tudo o que tem que ser dito (e ponto).
Paradigma 1: da audiência ao usuário
Paradigma 2: dos meios ao conteúdo
Paradigma 3: da monomidia a multimidia
Paradigma 4: da periodicidade ao tempo-real
Paradigma 5: da escassez a abundância
Paradigma 6: da mediação a não-mediação
Paradigma 7: da distribuição ao acesso
Paradigma 8: do formatado ao interativo
Paradigma 9: do linear ao hipertexto
Paradigma 10: dos dados ao conhecimento
Sala de Bate-Papo
Fevereiro 24, 2008

O podcast “Sala de Bate-Papo“, uma produção do LIMC/UFRGS , está de volta. Sem atualizações desde o final de 2005, o programa, com coordenação do Alex Primo, volta a suas atividades com uma discussão sobre as conversações na blogosfera. Além disso, e seguindo a proposta original, este episódio (Número 9) relembra alguns arquivos históricos do rádio no Brasil: o lançamento da versão matutina da Voz do Brasil e os comerciais do Melhoral e do Astringosol.
O podcast pode ser assinado através deste feed e as discussões do áudio prometem continuar no blog do Alex. Eu não era nada mais que uma graduanda quando o podcast estava no ar, mas ouvi TODOS os anteriores… É muito legal!! E adorei ter ele de volta: Parabéns, Alex!!
falsa contestação
Fevereiro 23, 2008
A tese complementar de Foucault, na analítica do poder, é a de que só a força e a violência fos grupos têm potencial de enfrentar o poder instituído. Essa oposição, entretanto, não é simples, pois nem toda luta levantada pelos grupos sociais é de resistência efetiva. A oposição grupo versus poder somente pode ser compreendida após uma série de ressalvas. A primeira, talvez mais importante, vem da constatação, decorrente de suas pesquisas históricas, de que muitas lutas supostamente contestadoras visavam, desde seu início, a inclusão e a legitimação na ordem estabelecida… (…) As técnicas de manipulação de indivíduos, de comunidades, de grandes contingentes de seres humanos, lembra Foucault, não são específicas dos regimes autoritários; no nosso tempo, as tecnologias de controle[*] são praticadas em todos os lugares[*], inclusive nas democracias. Quem, no fim das contas, desenvolveu de forma mais cabal e eficaz as técnicas de disciplinarização e normalização dos indivíduos senão os sistemas políticos inspirados no liberalismo?
Mente, Cérebro & Filosofia
Editora Duetto – Nº6, p.10
* grifos meus
Uma noite no palácio da razão
Fevereiro 21, 2008
James Gaines
Editora Record, 2007

Antes de tudo, Bach era um contemporâneo do pai de Frederico e representava o mundo atrasado, grosseiro e supersticioso ao qual Frederico tinha dado as costas, mas que ainda o assombrava durante o sono…” (p.230).
Johann Sebastian Bach é o elo mais famoso de uma família tradicionalmente vinculada a música e a religião. Frederico, o Grande, se tornou rei da Prússia e estabeleceu as bases do que seria a Alemanha. Estas duas vidas são o solo fértil desta dupla biografia musical de Gaines, onde o primeiro representa a dureza da disciplina luterana, o ponto máximo da genialidade clássica do contraponto; enquanto o segundo representa as saliências de um Iluminismo que passava a se desenvolver, com suas bases musicais no estilo galante.
Cada vida é narrada, fato a fato, dor a dor, conquista a conquista, afim que de possamos acompanhar a única e memorável noite em que se encontraram: e a criação de “Oferenda Musical“, a obra-prima de Bach. Os desafios familiares e profissionais do grande músico, seu temperamento forte e complicado, por um lado, e, por outro, a atormentada existência de Frederico – que contou com as tramóias da mãe contra o próprio marido (Frederico Guilherme I) e mesmo com a real intenção do pai em assassiná-lo – e que moldaram uma personalidade atribulada e afeita às guerras sangrentas.
Além das memórias e curiosidades sobre as relações que levaram ao encontro, e ao embate magistral proposto por Frederico para humilhar Bach e que resultou em uma das mais belas obras clássicas de todos os tempos, a narrativa de Gaines é leve e, ao mesmo tempo, uma aula sobre música, teorias musicais e a arte clássica das partituras.
Partitura de “Oferenda Musical”
Muitos anos mais tarde, Frederico contou a história de seu encontro a um amigo (…) e cantou o Tema Real para ele. Cantou o Tema Real? Como ele poderia ter se lembrado após tantos anos? (…) Frederico disse que Bach tinha sido capaz de improvisar não só uma fuga em três partes, mas, depois, também em seis partes e, finalmente, em oito!“ (p.244)
Mas o rei já não era mais o mesmo, havia esgotado seu potencial emocinal, fisico e econômico nas sucessivas batalhas que liderou durante praticamente todo seu reinado:
O Iluminismo prosseguiu sem ele. Ele estava cego e surdo, até mesmo para a nova geração de artistas alemães. Pensava que Goethe escrevia “banalidades repugnantes”, que parodiavam o pior do “ridículo (…) bizarro” Shakespeare. (…) A música de Haydn era “uma algazarra que machuca os ouvidos” e a de Mozart, “um miado“… (p.250)




