Hoje eu vi um squonk…

Dezembro 29, 2007

Não… Na verdade foram dois, e muito grandes!

A área do squonk é muito limitada. Fora da Pensilvânia poucas pessoas já ouviram falar nele, embora se diga que é bastante comum nos campos de cicuta daquele estado. O squonk é muito reservado e geralmente viaja na hora do crepúsculo. A pele, que é recoberta de verrugas e pintas, não o veste bem; os melhores juízes dizem que é o mais infeliz dos animais. É fácil rastreá-lo, pois chora continuamente e deixa uma esteira de lágrimas. Quando o encurralam e não consegue fugir ou quando o surpreendem e se assusta, desmancha-se em lágrimas. Os caçadores de squonks têm mais sucesso nas noites de frio e de Lua, quando as lágrimas caem devagar e o animal não gosta de se mexer; é possível ouvir seu pranto sob os galhos dos sombrios arbustos de cicuta…”

Descrição do squonk, narrada por William Cox
e parte do “O Livro de Seres Imaginários
de Borges

Relaps

Dezembro 28, 2007

Ok, eu sei que não encaminhei cartões – nem virtuais, que não espalhei spam no orkut para todos os contatos, nem mesmo encaminhei e-mails – ou seja, nenhuma manifestação natalina… Nem no blog e, diga-se de passagem, até mesmo pouco aconteceu pessoalmente.

Ainda assim, posso aproveitar pra desejar a todos um 2008 maravilhoso, nada relapso e com saúde… Alguns tombos, algumas conquistas – de forma a equilibrar a balança. Nem mais, nem menos. E um sorriso extra, em algum momento do ano.

Star Wars ascii via Telnet

Dezembro 24, 2007

Hehehe, já imaginou assistir ao Star Wars em formato ascii??
Pois, é uma experiência interessante – e o video foi bem feitinho…
Quer testar? É fácil…

1) Abra um terminal ou cmd: no Windows, vá em Executar (no menu Iniciar), digite ‘cmd’ e clique em Ok.
2) Digite ‘telnet’ e ENTER.
3) Digite ‘o’ e ENTER.
4) Digite ‘towel.blinkenlights.nl’ e ENTER

Pronto… É só aproveitar o filme!!!
Não esquece a pipoca… hehehe

Odradek

Dezembro 24, 2007

Naturalmente, ninguém perderia tempo com esses estudos se não existisse realmente um ser chamado Odradek. Tem o aspecto de um fuso de linha, plano e em forma de estrela, e a verdade é que parece feito de linha, mas de pedaços cortados de linha, velhos, enredados e misturados, de diferentes tipos e cores. Não é apenas um fuso; do centro da estrela sai uma vareta transversal, e outra vareta se articula a essa em ângulo reto. Com a ajuda desta última vareta de um lado, e de um dos raios da estrela, o conjunto pode ficar em pé, como se tivesse duas pernas.

Poderíamos ficar tentados a acreditar que essa estrutura algum dia teve uma forma adequada a determinada função, e que agora está quebrada. No entanto não parece ser o caso; pelo menos não há nenhum indício nesse sentido; não há remendos nem fraturas visíveis; o conjunto parece inutilizável, mas a seu modo completo. Nada mais podemos dizer, porque Odradek é extraordinariamente móvel e não se deixa capturar.

Ele pode estar no forro, no vão da escada, nos corredores, no saguão. Às vezes passa meses sem ser visto. Mudou-se para as casas vizinhas, mas sempre volta à nossa. Muitas vezes, quando saímos pela porta e o vemos no descanso da escada, dá vontade de falar com ele. Lógico, não fazemos perguntas difíceis, na verdade o tratamos como criança – seu tamanho diminuto nos leva a isso. ‘Como é o seu nome?’, perguntamos. ‘Odradek’, diz. ‘Onde você mora?’ ‘Sem residência fixa’, diz, e ri, mas é um riso sem pulmões. Parece um sussurro de folhas secas. Geralmente o diálogo acaba nisso. Nem sempre conseguimos essas respostas; às vezes ele guarda um longo silêncio, como a madeira, de que parece ser feito.

Inutilmente me pergunto o que acontecerá com ele. Pode morrer? Tudo o que morre teve antes uma meta, uma espécie de atividade, e nela se gastou; isso não se aplica a Odradek. Descerá a escada arrastando fiapos diante dos pés de meus filhos e dos filhos de meus filhos? Não faz mal a ninguém, mas a idéia de que possa viver mais do que eu é quase dolorosa…”

Descrição de Odradek, feita por Kafka
e anexada por Borges em
O livro dos seres imaginários

Animais dos espelhos

Dezembro 15, 2007

Naquele tempo, o mundo dos espelhos e o mundo dos homens não eram, como hoje, incomunicantes. Além disso, eram muito diferentes um do outro; não coincidiam nem os seres nem as cores nem as formas. Os dois reinos, o espetacular e o humano, viviam em paz; entrava-se e saía-se pelos espelhos. Uma noite o povo do espelho invadiu a Terra. Sua força era grande, mas ao cabo de sangrentas batalhas as artes mágicas do Imperador Amarelo prevaleceram. Ele repeliu os invasores, encarcerou-os nos espelhos e lhes impôs a tarefa de repetir, como numa espécie de sonho, todos os atos dos homens. Privou-os de sua força e de seu aspecto e reduziu-os a meros reflexos servis. Um dia, contudo, eles se livrarão dessa letargia mágica.

O primeiro a despertar será o Peixe. No fundo do espelho perceberemos uma linha muito tênue, e a cor dessa linha será uma cor que não se parece com nenhuma outra. Depois, irão despertando as outras formas. Gradualmente diferirão de nós, gradualmente deixarão de imitar-nos. Romperão as barreiras de vidro ou de metal e desta vez não serão vencidas. Junto com as criaturas dos espelhos combaterão as criaturas da água.

No Yunnan não se fala do Peixe, mas do Tigre do Espelho. Outros pensam que antes da invasão ouviremos, vindo do fundo dos espelhos, o rumor das armas.

Animais dos espelhos
em O livro dos seres imaginários
Jorge Luis Borges

Como entrar no Mestrado?!?!

Dezembro 15, 2007

Váááários links de chagada para o blog estão aparecendo com a temática ‘como entrar no mestrado?‘… Um reflexo do final de ano, e de milhares de novos bacharéis em todo o Brasil; mas também um reflexo do baixo nível de preparo, na graduação, sobre o universo acadêmico.

Precisamos lembrar que grande parte das Universidades brasileiras ainda não conta com centros de pesquisa e os alunos acabam sem chance de experimentar esse mundo antes da formatura.

Enfim, há algumas semanas uma menina do Recife, lendo algum post no meu 2º blog (razãodaloucura.blogspot) postou um comentário em que solicitava que eu lhe auxiliasse em relação ao processo de seleção do mestrado: sem saber que curso ela fazia e menos ainda seus interesses, arrisquei um e-mail genérico, orientando-a a procurar pelo Programa que fosse de seu interesse, essas coisas…

Mas, como esses links continuam a ser direcionados pra cá – especialmente por um post brincalhão de +ou- um ano atrás sobre ‘o que se deve saber antes de entrar no mestrado‘ – fico pensando se não era, realmente, de escrever sobre isso. Mesmo que seja pra dizer aos navegantes que não existe uma regra, assim, que possa ser aplicada; que as seleções são muito específicas e que cada área tem seus próprios métodos, não raro cada Programa tem os seus…

Então, se você está pensando na vida acadêmica como um futuro interessante, o melhor mesmo é conversar com algum professor de sua confiança, pra que ele te indique algum bom PPG (Programa de Pós Graduação)… Vale a pena, também, pesquisar nos sites das Universidades sobre as opções de Mestrado, as linhas de pesquisa, os trabalhos desenvolvidos – até que encontre algum que seja do seu interesse. Analise o edital, nunca perca os prazos e tenha a documentação em ordem. Se houver prova de seleção, não se assuste: leia a bibliografia indicada, leia algum material extra sobre a temática que está sendo proposta e vá firme.! Se houver exigência de projeto de pesquisa (o que é praticamente certo!), você pode, sim, trabalhar a partir de sua monografia de graduação – caso tenha o interesse de manter o tema. O pré-projeto, como é chamado, serve pra que o PPG possa avaliar os seus interesses de pesquisa, sua escrita científica, os autores com que trabalha, entre outros.

Alguns PPG’s ainda exigem cartas de recomendação, que são preenchidas por professores de sua instituição, ou com os quais já tenha trabalhado. Também, geralmente, há a proficiência em língua estrangeira

Mas, como eu disse, cada PPG tem seus próprios métodos de seleção. Então, basta procurar o PPG que mais lhe agrade, ou ao seu bolso, claro!

Dezembro 14, 2007

Hoje eu saio cedo Sem saber se vou voltar
Caminho entre os carros Deixo a rua me levar
Vou ser feliz Longe daqui

Vou só, sem uma foto, uma lembrança, uma canção
Te deixo de herança, o som do velho violão
Acorde em Mi Maior Pra você ter algo de mim

E mesmo que eu encontre Um caminho diferente
Que aproxime o eu de mim E afaste o eu da gente
Eu vou tentar fazer você feliz Nem que seja pela última vez
Eu vou tentar fazer você sentir Tudo como na primeira vez

E sempre que estiver sozinha Nas tardes de domingo
É só você pensar que eu Eu vou voltar sorrindo
Eu vou tentar fazer você feliz Nem que seja pela última vez
Eu vou tentar fazer você sentir Tudo como na primeira vez

Hoje eu saio cedo
Sem saber se vou voltar…

Eu vou tentar
Rodrigo Koala – Ira

Chamada Revista Animus

Dezembro 12, 2007

A Revista Animus, publicação científica do PPG em Comunicação Midiática da UFSM, estendeu a data limite para o envio de trabalhos destinados à publicação na última edição de 2007. As normas de envio e informações complementares podem ser acessadas pelo site PPG, AQUI. Os trabalhos podem ser enviados até a próxima semana.

Super La-tivo

Dezembro 10, 2007

As vezes nem o uso exagerado de superlativos resolve o drama da ‘superlatividade‘ que alguma coisa representa.!

Dezembro 10, 2007

Você descobre que alguma coisa não está certa quando, apesar de um começo de dia tranquilo, com tudo no lugar, você consegue molhar por inteiro seu único vestido ainda utilizável e estragar quase completamente sua revista importante sobre o Foucault e algumas outras coisas de papel que nem suas são… Culpa do mesmo sonho, sonhado em noites seguidas?