Tenho acompanhado, cada vez mais estarrecida, os acalorados debates sobre jornalismo tradicional, jornalismo online e blogs… Toda a função do Estadão e sua desastrosa campanha anti-blogs e os debates que ela gerou: no fim, é isso! Melhor do que ‘nunca’, ao menos os profissionais da área começam a se interessar pelo tema.
Não é que o jornal impresso vá acabar, não é questão de que o profissional seja melhor no papel ou no digital, não é que o suporte vá definir a qualidade do material veiculado. Os blogs, por exemplo, são parte das transformações que novas tecnologias fornecem – não é muito lembrar, mais uma vez, que o papel e a imprensa, respectivamente, provocaram alterações significativas em sua época de desenvolvimento… SUPORTES!
Isso me parece que tem sido o mais complicado e desafiador conceito, na discussão. Isso, e o entendimento sobre profissionais e não-profissionais se relacionando com a liberdade de expressão, que não é liberdade de imprensa…
A sociedade criou usos para a imprensa, como o jornalismo. A sociedade cria usos pra todas as suas invenções, aprende pela experiência, quer fazer parte do processo: os blogs são “formas de escrita de si” como nos mostram muitos pesquisadores. São marcas de um tempo, “crônicas” do nosso tempo como disse o Alex. As notícias só tem valor porque são parte do universo das pessoas, que sempre leram jornais e sempre comentaram as novidades. A participação é reflexo de um contexto tecnológico onde essa possibilidade se cristaliza.
Como profissão, me custa pensar que o jornalismo possa responsabilizar blogueiros pelo uso que fazem de um ‘suporte’. Eles não são jornalistas, mas conservam a liberdade de expressão. Ao mesmo tempo em que se acirram as críticas aos blogs, as empresas de comunicação investem alto na participação dos leitores – tanto no digital, quanto no impresso ou na tv… – porque a visão mercadológica das empresas de informação não tem nada a ver com a discussão profissional. Será!?
Convido-os a verificar os post sobre o tema no Dossiê Alex Primo. Além disso, e o que motivou mesmo essa postagem, leiam a coluna do Rafael Rodrigues no Digestivo Cultural (indicação do Reges, lá no blog do Alex). O colunista passa a matéria elogiando o trabalho de pesquisa do jornalista Eric Nepomuceno, mas não segue o padrão: Eric fez pesquisa de campo, mas também se alicerçou em pesquisas científicas, por exemplo. Não seria interessante fazer o mesmo em relação ao jornalismo? Sim, as pesquisas em jornalismo no Brasil são sérias, e também estão preocupadas com as transformações tecnológicas…
Ainda assim, toca em um ponto fundamental: a profissão jornalística. Aí está o ponto da discussão. De que forma o jornalismo vai encarar as mudanças, que são maiores do que a tecnologia de suportes, que envolve os conceitos de leitores, notícias e jornalistas? O desespero em manter formatos antigos, apenas com novas roupagens, não permite ver o que está além: um mundo de comunicação em tempo real, uma “sociedade informacional” (Castells) pode se constituir sem alterar consideravelmente os processos sociais?
E será que um pouquinho de pesquisa não pode ajudar nesse processo de redescobertas?
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