A Matrix está em colapso…

Setembro 28, 2007

 

Só pode… Ou isso, ou o artigo da Marcia está me afetando mais do que o previsto!

Há algum tempo tenho tido Déjà vu (s). Na verdade, desde que vim pra POA… Eles acontecem em qualquer hora do dia, com coisas banais ou detalhes mirabolantes. Mas agora foi demais: duas vezes essa semana aconteceu a mesma coisa. Na quarta de tarde estava indo pra Fabico, aula com a Marcia!, e passei por uma senhora que aguardava em uma parada de ônibs – gravei o rosto dela porque lembrei da postagem do Sean sobre as plásticas bizarras… Não é que duas quadras adiante o mesmo ser passa por mim, na direção contrária, caminhando na calçada??! Ok, ok… ela pode ter pego um ônibus, descido duas quadras a frente e feito o caminha de volta à pé… Tudo é possível…

Mas aí, hoje de manhã – indo pra Fabico, mas pra aula da Milena – passo por uma moça que saia do prédio onde mora, ela seguiu na direção contrária a minha. Aquela quadra é um desvio que faço, não passa ônibus ou coisas do tipo… A moça ia à pé… Adiante, na mesma quadra, novamente vislumbro o vivente atravessando a rua em minha direção, ela vinha do sentido oposto e mais uma vez passou por mim…

Que isso, eu sou criativa, mas agora já é exagero…

 

O vento é o artista

Setembro 26, 2007

- Volta aqui!… Vem…

Os bracinhos esticados se movimentam no mesmo ritmo do corpo, produzindo um círculo imaginário ao seu redor, inquietantemente acompanhado pelos cabelos loirinhos. A festa dançante do vento, que provoca o rodopio descontrolado do pequeno pedaço de plástico transparente, tem a capacidade singela de resgatar no rosto lacrimoso da menina um sorriso, que de tão espontâneo parece nunca ter saído dali.

Os ventos, não raro, produzem dias de pequenos sorrisos. Um movimento lento e planejado coloca o pézinho cada vez mais perto do plástico que agora parece cansado, jogado no chão marcado pela borracha preta dos carros. Um passinho, devagar, e… Mais uma vez ele escapa, como uma borboleta incolor se espalha e faz piruetas no ar. Um artista, o pacotinho. A menina apenas acompanha com o olhar rápido, e o corpo, lépido, mais uma vez se põe a dançar.

Se ela soubesse… Não é o pacotinho o artista, é o vento! O mesmo que desgrenhou seus cabelos e a machucou uns minutos atrás. Faz show com seu marionete, como se pedisse desculpas por sua intempestiva necessidade de sempre chamar a atenção.

Mas ela não sabe. Apenas sorri, divertida com o farfalho das folhas que também se animam pra brincar. Talvez, se ela soubesse nem se importasse, e talvez até mesmo aceitasse o convite do vento de embarcar em um de seus redemoinhos serenos e ir brincar lá em cima, saltitando nas nuvens fofinhas que agora escondem que já é primavera…

… últimos dias para a revisão final no artigo de Teorias do Jornalismo! Isso significa: pessoas enlouquecendo!! Correria, correria! Rotina em desalinho. Sim, porque esse prazo vence na sexta, mas ele não é tudo… Tem o texto final do artigo aprovado, tem o outro artigo que deve ser submetido, tem os trabalhos da disciplina que precisam ser corrigidos, aulas que devem ser preparadas, textos que devem ser lidos para as aulas que serão assistidas, a publicação da revista que chegou de última hora, e – porque ninguém é de ferro – a faxina na casa, a academia, o blog, as conversas, o sono… Ah, o sono!!

Vai dizer: tem vida melhor que essa??? Duvido! :P

Escritor dissidente, a vida de Reynaldo Arenas foi uma luta constante pelo direito à liberdade de expressão total

por Laura Storch

“Nenhuma ditadura gosta de arte”. Essa é a síntese da vida e da obra de um dos maiores escritores cubanos de todos os tempos. Movido pela revolução de 1959, que levou Fidel ao poder, Reynaldo Arenas começou como um revolucionário e terminou como sempre foi, um rebelde com várias causas.

O escritor nasceu perto da região cubana de Holguín, em 1943. Sua infância, comendo terra junto à abandonada mãe, é base para o seu primeiro romance, “Celestino antes del Alba”, uma fabulosa narrativa que obteve uma menção honrosa num dos mais prestigiados prêmios cubanos de literatura.

No entanto, depois, os seus livros viriam a tornar-se proibidos por serem considerados contra-revolucionários. Perseguido, Arenas reescreve por 3 vezes sua obra “Otra vez el mar”, destruída pela ditadura. Além do conteúdo de seus textos, Reynaldo também foi perseguido por ser homossexual e tentou por diversas vezes, entre os anos 60 e 70, fugir para os EUA, mas acabou preso.

Numa das suas fugas da cadeia, esteve 2 meses escondido num parque no centro de La Havana, chamado Parque Lénine. Foi aí que começou a escrever “Antes que anoiteça”, uma obra autobiográfica, cativante pela força com que o autor descreve a sua luta pela liberdade de criar e de se exprimir. Porém, esta obra ficaria incompleta durante muitos anos.

Novamente preso, agora na prisão do Morro, onde ficou por 2 anos, por diversas vezes tentou o suicídio. Apenas voltaria a trabalhar neste impressionante testemunho pessoal quando já conseguira fugir para Miami. No texto, Arenas fala da vida, da morte, do homossexualismo, do mal que o consumia – a AIDS, e do regime político do seu país que, por anos, o condenou ao exílio.

Numa linguagem bastante densa, o autor é impiedoso quando se refere a Fidel Castro e ao regime que ele impôs ao seu país. O livro mostra que Arenas tornou-se um ferrenho dissidente do regime castrista. Arenas “escreveu” grande parte deste livro gravando a sua voz para inumeráveis cassetes, sendo as suas palavras posteriormente convertidas à forma escrita. “Antes que Anoiteça” foi adaptado para o cinema em 2000, por Julian Schnabel, tendo Javier Bardem interpretado o papel do escritor cubano. Vale a pena conferir a montagem do diretor americano, também responsável por “Basquiat” (1996).

maliGníficos – 27/05/2006

PS: Esse texto foi parte de um zine, organizado na faculdade.
Não queria perdê-lo, por isso aparece aqui…

Timidez

Setembro 22, 2007

 

 

Basta-me um pequeno gesto,
feito de longe e de leve,
para que venhas comigo
e eu para sempre te leve…

— mas só esse eu não farei.

Uma palavra caída
das montanhas dos instantes
desmancha todos os mares
e une as terras mais distantes…

 

Timidez
Cecília Meireles

Quem não sabe!??

Setembro 21, 2007

Alguns conceitos parecem complicados, estão carregados por construções históricas e parecem exigir muito esforço para uma correta sistematização. Será?!! O que é liberdade?! E consciência? Justiça?? O que é o direito?

A sabedoria popular às vezes responde esses dilemas sem complicação! Se bem que…

França, século XVIII. As pessoas reúnem-se debaixo de uma árvore com o propósito de tomar conhecimento dos fatos que norteiam a vida dos reis. Esses fatos, além de cantados, são repassados na forma escrita. As fofocas, as canções populares e os folhetins geram e reproduzem textos que, ao pé da árvore, dão sentido às várias histórias do cotidiano. Através deles, todos, e não somente os letrados, têm acesso aos acontecimentos.

Se se olha para o Brasil do século XX, há bem pouco tempo, lembra-se que as pessoas se reuniam em torno da televisão, em praças públicas ou através das janelas das cadas dos vizinhos abastados, com o mesmo propósito, tomar conhecimento dos fatos e das histórias do dia. A TV, um outro modo de “cantar” as notícias, também ajudava, e ainda hoje o faz, a manter informados os que sabem e os que não sabem ler. Contam alguns que essas mesmas praças foram, em um passado mais remoto, o espaço destinado aos relatos e às discussões sobre os acontecimentos do dia. Atualmente, eles dizem, os shoppings são as praças públicas de ontem.

 

O olhar às avessas: a lógica do texto jornalístico
Fernando Resende

 

Intertextos

Setembro 20, 2007

Acontece que a espera às vezes sufoca, às vezes irrita. Sentado no quente e úmido saguão, percebia já com certo asco o movimento incessante e mal-cheiroso dos passantes. Decidiu-se por um lugar mais isolado e, na busca por uma vaga sossegada em um dos muitos cafés observou as curvas da mulher que se desenhavam em um jogo feroz entre preto e vermelho na estante de uma revistaria.

O pequeno volume lhe custara menos do que o tempo dispendido na espera do embarque – certamente nada, comparado a sensação que o desenho lhe impingia.

Um romance policial sem maiores atrativos. Eva, o desenho fenomenal em vestido vermelho na capa, era a viúva suspeita. O fato foi descoberto ao acaso, com o folhar de páginas inicial, que o conduziu ao diálogo entre a adorável viúva e o detetive.

No romance barato, Eva tenta se desvinciliar da presença constrangedora do detetive. Em determinado momento da cena, justamente em um virar de páginas, a personagem se move em busca de auxílio em uma pequena escrivaninha, no canto da sala. Ela, ainda com a atenção no detetive, começa a escrever na borda de uma pequena folha, parcialmente aparente. Na nota pode-se ler, de forma desordenada:

Eu sei que você está lendo isso! Não tenha tanta certeza de que as coisas aconteceram dessa forma ou nessa ordem. É o que eles querem que você acredite. Por favor, me ajude… Apenas feche o livro. Rápido!!!

O detetive já avançava em direção à Eva quando ela exclama: – RÁPIDO!!

Uma grande sensação de pânico o invadiu e, com as mãos trêmulas, o livro foi fechado. Por muitas vezes pensou em reabrir aquelas páginas, descobrir o segredos. Mas não teve coragem. Talvez fosse o medo de que ela fosse mesmo culpada, ou pior, de que o tivesse enganado por tanto tempo…

 

Estou lá…

Setembro 19, 2007

O Reges acabou de me avisar: meu artigo “Construção Jornalística coletiva: considerações acerca do universo dos weblogs” foi selecionado para o Seminário Internacional de Comunicação da PUC-RS, em novembro! Vi que vários colegas da UFRGS e alguns amigos da UCPel, espalhados pelo mundo, também estarão lá… Que ótimo!! Então, vamos lá… ;)

Mudas

Setembro 19, 2007

Apertou o botão ‘mute’ no controle. As crianças ainda corriam, mas não se ouvia um som…