“O fim da linguagem é, assim, duplo e contraditório: comunicação e cerceamento. Leva-nos para fora de nós, mas reentra-nos em nós pela vida de fraternidade e entendimento com aqueles que são nossos iguais ou próximos pelo espírito, pelo passado, pelas emoções comuns, pelo ofício e pelos interesses.

O idioma une um povo adentro de si, mas separa-o dos outros povos. Quanto mais se aprende uma língua, tanto mais se desaprendem e esquecem todas as outras. Falar uma língua, que não é a nossa, é sempre tentar mudar de alma e de aparelho de fonação. Quando se fala bem a nossa língua, com domínio pleno de todos os seus mistérios, com estreita identificação com as experiências nela estratificadas, implicitamente praticamos um ato de guerra passiva contra todos os povos estranhos, porque nos isolamos por detrás de uma forte muralha espiritual, aquela selva das nossas peculiaridades separadoras.

Só têm forte personalidade os povos que sabem expressar essa personalidade com maestria em palavras próprias, palavras fiéis aos aspectos fugentes do seu sentir mais típico e dos seus gostos mais enraizados, desde a cozinha até à etiqueta, através de todos os escaninhos da ética.

O sonho de um latim universal ou “latão”, de um volapuk, de um esperanto, de um “basic english” é uma tendência multitudinária para o empobrecimento do espírito, é a busca ansiosa de uma plataforma, onde se possam encontrar todos os pobres de espírito da Terra, a dizer banalidades estandardizadas.

A arte, a literatura e o pensamento são inseparáveis das palavras, mas palavras vivas e obedientes ao esforço de modelação do escritor e do pensador, palavras fluidas que inflam e minguam, que se bifurcam ou se conjugam, que se nublam de halos deformadores ou se mostram em nudez plena.

A construção do pensamento é inseparável,em todas as suas fases, ainda a mais concretamente experimental e a mais reservadamente meditativa, de uma incessante luta pela expressão.

“Indizível” e “impensável” são quase sinônimos.

Se pudéssemos todos pensar e falar por música, estaria achada a linguagem universal, sem a condição de indigência dos esperantos; e o mundo seria bem mais suportável, porque o diálogo fácil entre os homens de todas as latitudes, todas as raças e todas as religiões traria a paz e o amor.”

“Onipresença da Palavra”
Fidelino de Figueiredo

Por que Jornalismo???

Maio 30, 2006


Já me perguntei isso… É normal!
Mas será que tem um sentido?!
Se existir, não pode ser outro que esse:


“Passeio pelas ruas desmoronando-se
em delapidados esgotos
Por entre prédios de que se foge
pois caem-nos em cima
Por entre toscos rostos que nos medem e condenam
Por entre lojas fechadas
Mercados fechados
Cinemas fechados
Jardins fechados
Cafés fechados
Exibindo, às vezes, cartazes
Justificativas poeirentas:
Fechado para obras
Fechado para reformas
Que tipo de reformas?
Quando termina a tal obra, a tal reforma?
Quando irá começar?
Fechado, fechado, fechado
Tudo fechado
Chego, abro inúmeros cadeados
Subo correndo a improvisada escadaria

Ali está, ela! Me esperando…


Encontro-a, destapo-a
e contemplo a sua poeirenta e fria forma
Sacudo o pó e a acaricio
com pequenas palmadas limpo-lho o lombo
a base, os lados
Sinto-me desesperado, feliz ao seu lado
De frente para ela, passo as mãos no teclado
e rapidamente tudo começa…

Com o ta-ta e o tilintar
a música começa, pouco a pouco
Agora mais rápida
Agora a toda velocidade

Paredes, árvores, ruas, catedrais, rostos e praias
Celas, mini-celas, grandes celas
Noites estreladas, pés descalços, pinhas, nuvens
Centenas, milhares, um milhão de papagaios
Bancos e uma trepadeira
Tudo acode
Tudo vem
Tudo se aproxima

As paredes recuam
o teto some e flutua naturalmente
flutua desenraizado, flutua arrancado, arrastado
elevado, levado, transportado
imortalizado e salvo
Graças a essa inaldível e constante cadência
por essa música
Por aquele ta-ta incessante…”

(Reinaldo Arenas)

As palavras são o sentido e a mudança é o sentido, como as barreiras são o sentido!
Não pode haver outro…


O que nos perturba ao reler os clássicos nem é tanto o fato de que eles tenham conseguido identificar de modo essecial algo verdadeiro e terrível, mas que nós, mais de dois mil anos mais tarde, continuamos em nossos erros sem ter compreendido sua lição (ou tendo-a compreendido até bem demais). A atualidade dos clássicos se deve ao fato de que são tragicamente inaturais…

Humberto Eco

Nada!

Maio 29, 2006


O nada é a palavra que mais assusta o comum das gentes. Mas, para exorcizá-lo, ninguém precisa ir aos padres, às mães-pretas, aos índios velhos, ao diabo: basta ir a um dicionário e verá que o nada não existe. Sim, é uma coisa tão absurda como a existência do mundo…

Na volta da Esquina
Mário Quintana

 


Uma empresa chamada Linatree inventou uma câmera fotográfica que pode ser baixada da Internet. Adorei a idéia e, tenham certeza, vou fazer o teste!!

A matéria do Terra diz que a câmera de papel deve ser recortada e montada!
E usa filme comum… Muito criativo!!

Adorei a idéia de fazer uma máquina em casa, com as próprias tesouras e colas;)

Você quer tbm?! Aproveite

…maliGníficos…

Maio 28, 2006


Não pensem que o Zine está abandonado…
Quem estiver acompanhando sabe que tem novidade toda semana!

Ainda não descobri um geito de colocar coments lah, mas as sugestões e as críticas podem ser feitas aqui… ;)

Resolvi postar os links para as minhas matérias, desde a primeira edição…
Quem quiser palpitar… Já agradeço!


A eterna espera de Godot

A língua é o que nos une
À luz de velas na web

E, finalmente…

A breve revolução pela liberdade

… pensamientos!

Maio 27, 2006


Las manos son lo mejor que indica el avance del tiempo.
Las manos, que antes de los veinte años empiezan a envejecer.
Las manos, que no se cansan de investigar ni darse por vencidas.
Las manos, que se alzan triunfantes y luego descienden derrotadas.
Las manos, que tocan las transparencias de la tierra.
Que se posan tímidas y breves.
Que no saben y presienten que no saben.
Que indican el límite del sueño.
Que planean la dimensión del futuro.
Estas manos, que conozco y sin embargo me confunden.
Estas manos, que me dijeron una vez: -tienta y escapa-.
Estas manos, que ya vuelven presurosas a la infancia.
Estas manos, que no se cansan de abofetear a las tinieblas.
Estas manos, que solamente han palpado cosas reales.
Estas manos, que ya casi no puedo dominar.
Estas manos, que la vejez ha vuelto de colores.
Estas manos, que marcan los límites del tiempo.
Que se levantan y de nuevo buscan el sitio.
Que señalan y quedan temblorosas.
Que saben que hay música aun entre sus dedos.
Estas manos, que ayudan ahora a sujetarse.
Estas manos, que se alargan y tocan el encuentro.
Estas manos, que me piden, cansadas, que ya muera.

El Mundo Alucinante
Reynaldo Arenas

Humm…

Maio 25, 2006


De repente, o homem, surpreso, se vê existindo após centenas e centenas de anos de não-existência. Ele passa um período vivendo, depois vem outro período igualmente longo em que vai deixar de existir.

Observações Adicionais à doutrina do vazio da Existência,
Schopenhauer

poeminha do contra…

Maio 25, 2006


Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão…
Eu passarinho!

(mario quintana)

… sobre human beings!

Maio 25, 2006


“Numa noite fria de inverno, alguns porcos-espinhos se juntaram para se aquecerem com o calor de seus corpos. Mas logo viram que estavam se espetando e se afastaram. Ficaram com frio de novo e se juntaram, ficando entre dois males até descobrirem a distância adequada. Assim é na sociedade, onde o vazio e a monotonia fazem com que os homens se aproximem, mas seus muitos defeitos, desagradáveis e repelentes, fazem com que se afastem…”

Hum… Parte da fábula do porco-espinho, de Schopenhauer!
Se não diz tudo, diz o que é…