No nosso último jantar…
Abril 28, 2006
sentamos a mesa
e comemos em silêncio, o próprio
bebemos vinho e não brindamos
só se brinda quando existem planos
naquela noite
naquela mesa
nosso último jantar
era a única certeza
alguém que por ventura bisbilhotasse a nossa janela
veria talheres e copos flutuando sobre as velas
no nosso último jantar
sentamos a mesa e comemos transparentes
alguém que por ventura bisbilhotasse a nossa janela
veria comida sendo digerida dentro da gente
no nosso último jantar
sentamos a mesa e carcomemo-nos
alguém que por ventura bisbilhotasse a nossa janela
nos veria por muito, pouco, tempo
michel melamed
(ouça)
O futuro do Jornalismo…
Abril 28, 2006
Eu sempre gostei de filmes de ficção… Sempre olho para eles com uma curiosidade em especial, com vontade de poder imaginar como serão as coisas no futuro, se as loucuras que passam pela minha cabeça têm fundamento também para os outros.
Mas o mais legal é ficar calculando o tempo que as coisas mirabolantes que os “caras” colocam nesses filmes vão levar pra se concretizar (de uma forma ou de outra!) ou se tornarem ultrapassadas antes mesmo de existeirem!
Uma delas chegou antes do que eu previra…

“No filme de ficção científica Minority Report, um passageiro do metrô tem em mãos uma moderna edição do USA Today; em vez do tradicional papel, uma tela de vídeo de plástico, fina, dobrável e sem fio disponibiliza as notícias, com textos atualizados constantemente. A cena, ambientada no ano 2054, deixou de ser apenas ficção.
Este mês, o jornal financeiro belga De Tijd começou a testar versões de papel eletrônico. Trata-se de um dispositivo de telas com tinta digital – milhões de cápsulas microscópicas, da largura de um fio de cabelo humano, feita de material orgânico – que mostra imagens claras ou escuras em resposta a cargas elétricas.” (Observatório da Imprensa – leia mais…)
Incrível! Foi a coisa que mais me impressionou no filme!
Num relance, uma bobagem, no começo do filme uma pessoa passa pela rua lendo um jornal, mas era um jornal eletrônico, as notícias iam mudando constantemente, as manchetes, os destaques…
Segundos que me levaram a pensar em quanto tempo levaria pra se tornar real.
Não lembro bem o tempo que imaginei naquele dia, mas, com certeza o prazo não era tão curto!
Sensacional…
Cada vez eu amo mais a teconologia! É enlouquecedor…
E o que será de nós!? O que será dos jornalistas em meio a tudo isso??
Preparação e evolução são caminhos cruzados, não dá tempo de esperar pelas “teorias”…
Evangelho
Abril 28, 2006
“… Homens, perdoai-lhe, porque ele não sabe o que fez.”
Terminei o Evangelho Segundo Jesus Cristo, do Saramago!
Fascinante! Marcam as passagens da morte de José, crucificado como um rebelde, “injustamente”; e, de mais a mais, a não ressurreição de Lázaro, a pedido de Maria Madalena (irmã do falecido e mulher de Jesus!) e a visão de Judas Iscariotes, como aquele que obedeceu ao Mestre. Além, é claro, da humanidade de Jesus, querendo se livrar da infâme trama criada por Deus para dominar o mundo! Sensacional…
Próximo passo: A Cura de Schopenhauer, do Yalon.
Se for bom como “Quando Nietzsche chorou”, to bem!
.
Abril 27, 2006
Muito prazer, meu nome é otário
Vindo de outros tempos
mas sempre no horário
peixe fora d’água,
borboletas no aquário
Muito prazer, meu nome é otário
na ponta dos cascos e fora do páreo
puro sangue, puxando carroça
Um prazer cada vez mais raro
aerodinâmica num tanque de guerra,
vaidades que a terra
um dia há de comer.
“Ás” de Espadas fora do baralho
grandes negócios,
pequeno empresário.
Muito prazer,
me chamam de otário.
Por amor às causas perdidas…
(Humberto Gessinger/Paulo Galvão)
ops!
Abril 26, 2006
… a disciplinariedade e suas trans e inter’s
Abril 26, 2006
Se você ficar pensando sobre alguma coisa durante alguns dias, com certeza (certeza do tipo: lei de murphy!) alguém vai, de alguma forma, falar sobre esse exato tema!!
Isso é certo…
Já tentou??
Isso aconteceu hoje comigo. Aula de Direito Penal III, no semestre elaborado para as discussões acerca das penas, no título sobre o cálculo das penas, no exato momento em que se discutia a liberdade de discricionariedade do juíz acerca do tempo que será acrescido ou diminuído da pena final, levando em conta as agravantes, as atenuante, as minorantes e as majorantes… Tá, é isso!
Fato é, que vinha pensando em como as diferentes ciências têm dificuldade de entrecruzar-se… As tais inter e transdisciplinariedade!
O Direito é um exemplo cada vez mais claro disso, pra minha pessoa!
Uma ciência que depende imensamente de tantas outras e que não consegue dar um passo a frente, nem ao menos ao lado, no que corresponde a essa multiplicidade de contribuições que podem ser feitas “entre ciências“!
Desde a informática (mais atual) até à Psicologia, por exemplo!
Nada se intercomunica! Nada se relaciona! Nada contribui! Nada transforma! Nada acrescenta em nada!
Na aula de hoje o problema era a necessidade de o juíz avaliar a personalidade do réu, para o cálculo da pena… Um juíz é só um “cara”. Normalmente um cara que nunca estudou psicologia, que não é capaz nem de avaliar o arranhão no carro ou se o valor calórico da melancia pode causar disturbio gastro-intestinal! Quem é ele pra avaliar a personalidade ou periculosidade de alguém?
Da mesma forma em relação à Comunicação, que nem existe no Direito! Afinal, existe coisa mais distante da sociedade que um Código Civil? Existe momento mais estranho pra qualquer trabalhador do que o da assinatura de um contrato de prestação de serviços ou uma audiência de conciliação?
Ok! Isso sem falar na engenharia, na arquitetura, na medicina, da matemática, na mecânica… TUDO ESTÁ DIRETAMENTE LIGADO AO DIREITO!
Mas ele se esconde…
Quem mais faz isso??? A maioria dos cursos, das ciências, das atividades!
Arte é cinema, teatro, música, plásticas… e só!
O resto do mundo não é arte.
O resto do mundo não é saúde.
O resto do mundo não comunica.
O resto do mundo não soma, nem divide, não paga contas, não eterniza e não canta…
De quem é essa responsabilidade?
De quem, se não for dos mestres, doutores, senhores e senhoras, que andam pelos corredores do mundo chamando-se Dr. Eu, Sr. Seu!?
Uma boa sacudida da comunidade científica!
Uma boa chacoalhada na turma do “deixa-disso”!
Multiplicidade científica!
Individualidade técnica não significa que não possa haver Universalidade Científica!
E tenho dito.
Provar pra quem??
Abril 26, 2006
Sem posts novos por causas das provas!
No meu caso, universitariamente falando, nas provas semestrais que já começaram a dias, mas resolveram complicar só agora!
Em outros casos… Bem, a palavra prova tem várias funções técnicas!
Prova acadêmica, que avalia o desempenho do aluno…
Prova jurídica, que verifica a veracidade da propositura ou do fato…
Prova de amor, que serve pra demonstrar o sentimento e sua amplitude…
Prova científica, que serve pra demontrar que o que não se vê é como se imagina…
Muitas provas! Existem outros tipos de provas??
Quais?
Sescentando…
Abril 25, 2006
Quem tem o que dizer sempre fica na história!
Mesmo que a “grande mídia” não mostre, não comente, não escute… Sempre será visto e lembrado quem, por inteligência ou dom, tenha histórias pra contar, ou sabedoria pra espalhar.
Uma dica de “bem-fazer” na TV aberta nacional, que valoriza quem faz (não pelo que paga, mas pelo que faz!) é o [Re]Corte Cultural, da TVE! Apresentado pelo muito inteligente e charmoso Michel Melamed, o programa é, pra mim, um exemplo de que TV aberta e cultura, inteligência e bom gosto são, não apenas possíveis, mas necessários!!
Outro que merece destaque é o meu amado dindo, padrinho, paizinho: Tio Érico! Aqueles que não conhecem a graça e a gentileza da sabedoria, deveriam poder conversar por alguns minutos com este jovem senhor – que completa, pra nossa imensa alegria, mais um ano de vida!
Alegria, alegria!
Feliz Aniversário, meu amigo – meu (pai)drinho!
_________
Tardes assim…
Abril 24, 2006
.
Abril 23, 2006
O hábito é o balastro que prende o cão ao seu vômito. Respirar é um hábito. A vida é um hábito. Ou melhor, a vida é uma sucessão de hábitos, porque o indivíduo é uma sucessão de indivíduos. Hábito é pois o termo genérico para os inúmeros contratos celebrados entre os inúmeros sujeitos que constituem o indivíduo e os seus inúmeros objetos correlativos. Os períodos de transição que separam as consecutivas adaptações, representam as zonas perigosas na vida do indivíduo, perigosas, penosas, misteriosas e férteis, em que, por um momento, o tédio de viver é substituído pelo sofrimento de ser.
Samuel Beckett, in “À Espera de Godot“, 1952
______
As coisas ficaram por fazer,
mas um final de semana escondida no campo faz um BEM!!!





